terça-feira, 21 de abril de 2009

Das ideias

Ter ideias é bom. Aliás, ter ideias é uma mais valia. Mas ter ideias, boas ideias, é ter capacidade de as editar. Foi-nos pedido que fizéssemos um comentário ao plano que a YoungNetwork apresentou na passada semana a cerca de 30 agências de comunicação. O plano consiste num programa de estágios para recém-licenciados que queiram ingressar no mundo das agências de comunicação.

 

A intenção é boa. A ideia não é má. É certo que as profissões de relações públicas e assessor de imprensa se aprendem pondo a mão na massa e que, muitas vezes, os jovens saem das universidades com a cabeça forrada de saber teórico com pouca ou nenhuma aplicabilidade prática.

 

A partir daqui temos dúvidas em relação ao plano. Começando pelo princípio: dois meses de estágio – intercalado com workshops – dá para aprender muito pouco. E, para quem trabalha no terreno (ou já trabalhou) torna-se óbvio que se aprende mais num mês de trabalho que num mês de sala de aula. E de salas de aula vêm os recém-licenciados fartos. Um estágio é a altura para aplicar tudo o que se conheceu em teoria. Os formadores têm de estar lado a lado, a dar dicas para um follow up, a explicar como se deve lidar com um cliente, a sugerir novas ferramentas e novas formas de pensar.

 

A questão dos formadores leva-nos a um novo problema com o plano. Primeiro é dito que este será um projecto a envolver as melhores agências de comunicação. Depois, João Duarte publica no blog que enviou a proposta para 30 agências de comunicação. Não há 30 boas agências de comunicação em Portugal, como aliás nos parece do conhecimento geral. O que traz ainda outra questão: caso haja de facto quem esteja disposto a pagar 1.000 euros para fazer um estágio, digamos na YoungNetwork, haverá quem esteja disposto a “calhar” nas outras agências – aquelas que não são de facto de topo? E, será que as agências de topo, as que realmente interessam aos recém-licenciados, se vão juntar a um projecto destes? E será que precisam dele para caçar os melhores talentos?

 

E o que acontece aos restantes estágios? Aqueles em que os jovens não pagam e não recebem por eles? Estará uma pessoa disposta a pagar 1.000 euros para estagiar 2 meses numa agência de segunda linha, quando o colega está a estagiar à borla numa agência de topo?

 

A posição do Buzzofias é clara: somos contra a ideia de se pagar para fazer um estágio. E pagar 1.000 euros por um workshop parece-nos abusivo, tendo em conta que estamos a falar de pessoas que ainda não começaram a trabalhar.

 

Concluindo, a YoungNetwork teve uma boa ideia – a preocupação com os jovens licenciados é de louvar, assim como a vontade de querer "agarrar" os melhores. Mas o esquema proposto, parece-nos, precisa de ser afinado.

3 comentários:

CE disse...

Completamente de acordo.
Tendo passado por duas das agências consideradas "de topo", nunca poderia aconselhar um recém-licenciado a pagar 1000€ por um estágio de dois meses numa destas agências...

Acrescento uma crítica à selecção dos melhores em função das notas.
Os "cromos" dos 17 e dos 18 não são, necessariamente, melhores RP em potência do que os alunos dos 13 e dos 14. Estes, regra geral, concentram os seus interesses em muito mais do que os livros, fazendo deles pessoas e profissionais muito mais interessantes.

Sim, a iniciativa é de louvar mas partilho da opinião de que o esquema precisa de afinação.

jd disse...

Obrigado. abr. jd

[Paula Alves] disse...

[ estava aqui cheia de sono mas este post despertou-me... pagar 500€/mês por um estágio? então deixa de ser um estágio, não é? passa a ser outra coisa qualquer... eu, que procuro um estágio, já acho uma patifaria quando não oferecem "ajudas de custo" quanto mais "queres um estágio passa para cá um cheque".

e eu que ia deitar-me hoje a pensar que os estágios serviam para integrar/formar as pessoas na área... caramba!!! ]