Se as músicas dos supers fazem sucesso (Pingo Doce) na Publicidade, o Continente responde na mesma moeda, mas apostando no Viral. Quem ganha a guerra? O viral ou o tradicional? O contemporâneo ou antiquado? Acho que a tradição ainda é o que era neste caso...
Esta é uma campanha de sensibilização para a prevenção do cancro da mama, mas dirigida a homens. A ideia, como poderão ver no vídeo, é envolver os homens no diagnóstico precoce do cancro da mama das suas companheiras, treinando alguns movimentos através de uma pequena aplicação.
Segundo o vídeo, a acção foi um sucesso porque houve muitas pessoas a mexer na coisa, o que tornou o custo por contacto com a coisa reduzido, muito inferior a uma acção no terreno, menos intrusiva, etc, etc.
Muito interessante, mas quantos homens que visitam este site para adultos, foram, de facto, palpar os seios das suas mulheres? E dos que foram, quantas terão ido ao médico? Quantos cancros terão sido detectados? Ou quantos terão mesmo companheiras? Não sabemos. Mas, ainda assim, a acção foi um sucesso!?!
Se há coisa que os directores de marketing gostam é de métricas. Números onde se possam agarrar para justificar investimentos. Audiência, GRP, CPV, PPV, ROI, notoriedade e até ROE (sobretudo ROE), tudo conta.
Recentemente, em Portugal, tivemos vários exemplos de campanhas com elevadas taxas de notoriedade, mas que geraram movimentos de (quase) ódio contra as marcas, sem que os seus responsáveis parecessem dar-se conta disso. O Pingo Doce, com o seu jingle, e a Galp, com a sua trombeta de plástico cor de laranja, vulgo Vuvuzela. Por coincidência, o brief-do-lombo refere mais um exemplo.
São campanhas que até podem dar resultados financeiros no momento, mas que, fundamentalmente, contribuem para o desgaste das marcas.
Olhar para os estudos que nos apresentam raramente chega. Sentir o público é fundamental, e aqui, as redes sociais, embora longe de serem suficientes, podem dar uma ajuda.
Será que quando um anúncio é vítima de um "spoof", é sinónimo ou símbolo da sua eficácia?
Na minha opinião, é apenas a prova de que os autores da rábula em questão consideram estes exemplos suficientemente reconhecíveis pelo público ao ponto de serem facilmente identificados sem necessidade de divulgar o produto em questão... Se isto não é eficácia dos anúncios em questão...
NOTA: O anúncio original da obra "O Arquipélago da Insónia" de António Lobo Antunes encontra-se em baixo.. não apenas para comparação da magnífica prestação de Eduardo Madeira, mas porque vale mesmo a pena.