quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A minha porteira (agora) é um avatar

(A história da Ensitel lembrou-me um exercício que fiz há meses e que agora vos deixo.)

Nada e criada em Campo de Ourique, se houve figura que desde cedo aprendi a respeitar foi a da Porteira. Quem melhor do que essas senhoras fardadas com batas estampadas relataria a vida que circulava pelas artérias ortogonais do meu bairro? Delas também dependia a reputação de quem lá habitava. Um passo em falso e seria olhada de lado na livraria, na papelaria e no café. Qualquer evento, festas, casamentos, baptizados ou quaisquer outras desgraças chegavam aos ouvidos mais recolhidos, aos cantos mais obscuros, numa questão de horas – dias se estivéssemos no Verão e as nossas sentinelas estivessem a matar saudades da terra. A verdade é que se dissessem que a mercearia da Francisco Metrass vendia a fruta demasiado verde, era certo e sabido que a minha Mãe, pelo menos nessa semana, mandaria a empregada à mercearia da Tomás da Anunciação. Só por precaução.

Ao “passear” pelos perfis de Facebook e Twitter não posso deixar de me perguntar em que altura do avanço tecnológico nos tornámos todos um bocadinho porteiras. Com o Facebook a alcançar a marca dos 500 milhões de utilizadores (and growing), é cada vez mais frequente ouvirmos frases que começam com “li no Facebook que…”, “tenho um amigo no Facebook que…” e outras que tais.

Se há 15 anos a opinião de uma porteira poderia arruinar o negócio do mês a uma mercearia, hoje, que, reconheçamos, todos abraçámos esta nossa costela de cuscuvilheira, que podem afinal as marcas fazer para evitar que uma porteira envie todas as freguesas para a “mercearia” da concorrência?

O Facebook não só veio dar voz à pequena porteira que dentro de todos nós habita, como as questões de privacidade fecham cada vez mais os murais de olhares indiscretos – leia-se de olhares que não os dos “nossos” amigos. Ou seja, podemos ter um boato – chamemos-lhe “crítica” – a passar de boca-em-boca (ou de mural-em-mural) sem nos darmos conta da existência do mesmo, até que alguém nos diga “epá, li no Facebook que a tua marca/serviço/produto é uncool/uma fraude/fabricado por meninos do Bangladesh”. E, claro, nessa altura o boato já deu duas vezes a volta ao mundo, foi traduzido para várias línguas e, não só ninguém sabe quem o começou, como há hordas de antigos fiéis/clientes/consumidores prontos a admitir sob juramento que viveram, eles mesmos, a mesma experiência.

Quando falamos de redes sociais a privacidade é uma maçada. Antigamente um jornalista publicava um artigo, toda a gente via e, caso o que dissesse fosse inverdade, a nossa lei até permitia uma coisa chamada Direito de Resposta que, através do mesmo meio, chegava a todos os que teriam ficado melindrados com a notícia.

Quem trabalha a reputação de marcas e instituições não pode deixar de se sentir assustado com a dimensão dos Social Media. Muitas das marcas fecham-se e, as mais conservadoras optam por não estar lá, não abrir a página de Facebook, nem o perfil do Twitter, nem responder a posts em blogues, não participar nos fóruns. Acreditam eles que é uma forma de “não estar”.

Desenganem-se. Se existem, estão lá. Porque é por lá que as pessoas falam e sem pessoas não há marcas, nem produtos, nem serviços que subsistam. Estão lá e o que dizem fica escrito e enquanto não for apagado é sempre possível que uma pesquisa no Google vá encontrar uma menção menos boa e acordar um boato há muito adormecido.

Por outro lado, uma página que abre um canal de comunicação numa rede social como o Facebook ou o Twitter pode ser inundada de reclamações? Pode. Mas a verdade é que essas mesmas reclamações que lhe caem agora no colo, são as mesmas que sob a cortina das “Definições de Privacidade” rolam já a todo o vapor. Com um canal aberto nestas redes, as marcas podem defender-se para toda a sua rede de seguidores e “pescar” os boatos antes que eles se tornem definitivamente nocivos.

Durante os 27 anos que morei em Campo de Ourique desconheci o nome das porteiras (tirando o da minha), mas a verdade é que, sempre que visito o meu Pai, todas as outras me cumprimentam com um “Bom Dia, menina Joana”.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Como o endividamento se torna "a way of living"

Espero que o título não seja enganoso porque se estão à espera que explique o título, podem deixar de ler desde já. Não sei como é que o endividamento (referente ao crédito imobiliário) virou moda em Portugal (bem como noutros países um pouco por todo o mundo). Mas debato-me com esta questão.

Acho que este sim seria um grande case study para a área de comunicação. Foram os Bancos? Os Governos para estimular a economia e o seu sistema? Confesso que não sei a origem, até porque já nasci com esta realidade da mania das pessoas comprarem casa, mas acho que o lobby só falhou nos países nórdicos e alguns do centro da Europa. Coincidência serem países cujas economias são estáveis e prósperas e onde um arrendamento é visto como a opção correcta... até porque como ouvi há uns anos numa reportagem de TV sobre o mercado imobiliário na Escandinávia, "eu sou um cidadão comum, porque raio devo ser dono de um imóvel se só me serve para viver durante um período de tempo? Isso só teria razão de ser se fosse um investidor do sector imobiliário".

Talvez à imagem do que acontece com o tabaco, que apesar de ter na embalagem imagens e palavras dissuasoras do seu consumo, continua a ser consumido avidamente em todo o mundo, também a Compra de Casa se tornou um vício. Todos querem comprar uma casa. Ter uma casa da qual sejam donos. Mesmo que as notícias como esta ou esta indiquem às pessoas que o caminho a tomar talvez fosse outro... Sem dúvida um case study de sucesso. Só não estou certo é se é de comunicação ou mais de natureza política/económica.

O Triângulo das Bermudas da Reputação Versão 2011



(é só por Blogues onde diz Gmail)

Com um beijinho especial para a Ensitel.

Morte lenta

É uma discussão recorrente. Os argumentos não são novos. E a notícia que hoje vem em toda a comunicação social (aqui fica a título exemplificativo a do Jornal de Negócios) não é mais do que um prego no caixão.

A venda de jornais continua a cair anualmente como se de um velório anunciado se tratasse. E a grande questão que agora se coloca, com a aposta nos tablets, é: haverá uma transferência definitiva dos leitores do papel para o formato electrónico?

Provavelmente sim e por isso a aposta neste novo formato poderá ser decisiva para a sobrevivência dos meios. Será curioso ver os números da APCT nos próximo biénio e mais interessante seria se a análise passasse a incluir uma comparação com as assinaturas online e/ou assinaturas para iPad e similares.

Apesar de tudo, acredito que como o próprio nome deste post o refere, a morte continuará lenta pois não se prevê que em 2 ou 3 anos os tablets sejam uma espécie de telemóvel em termos do seu uso massivo pela sociedade.

Sobra apenas uma questão... O que acontecerá às redacções? Os grandes nomes do nosso jornalismo adaptar-se-ão à nova era ou teremos uma nova geração, inexperiente nas manhas do jornalismo, mas cujo chip informático já nasceu na sua corrente sanguínea?

Boas-vindas

Antes das boas-vindas a 2011, queremos dar as boas-vindas a três novos blogues:

1. O Segundo Que Passou, do Luís Spencer de Freitas, companheiro de Faculdade de alguns Buzzófias, Web Strategist na na The Grand Union Portugal.

2. O Talking About, da Susana Monteiro Machado, directora da Parceiros de Comunicação

3. Que Mais ::: What Else, de Fernando Baptista, da Lewis PR Lisbon

Não temos conselhos nenhuns para os caloiros, desejamos apenas que nos saibam dar boas postas.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Boxing Day

Talvez para muitos seja um termo pouco familiar, mas o Boxing Day é uma tradição dos países anglófonos, que nasceu há muitos séculos atrás e cuja origem do nome está relacionado com a palavra Box (caixa). É o primeiro dia útil após o Natal e também é feriado. É nessa data que se abrem as caixas para partilha de presentes com os pobres. Hoje, transformou-se num dia em que as lojas baixam consideravelmente os seus preços para escoar muitos dos bens que não foram vendidos no Natal.

Mas acima de tudo, fora dos países de língua inglesa, é conhecido como o dia do futebol. É uma tradição com longos anos que leva as famílias ao futebol no dia 26 de Dezembro. Trata-se da mais emblemática jornada da Premier League (Inglesa e Escocesa) e se em qualquer jornada da competição já é difícil comprar um ingresso, nesta, em particular, é de todo impossível.

Apesar de estar fortemente relacionado com uma tradição cultural, talvez fosse um exemplo a ter em conta para levar mais gente aos estádios nacionais. Nesta jornada só há jogos entre equipas da mesma cidade, ou de cidades vizinhas, para não obrigar as pessoas a viajar muito para acompanharem as suas equipas numa altura em que se privilegia o tempo em família.

Em vez do privilégio às transmissões televisivas com horários pornográficos para levar pessoas aos estádios, bastante falta faria uma jornada à antiga no futebol português, sem transmissões e com os estádios cheios a um qualquer domingo à tarde.

O simbolismo desta jornada é tal que até tem direito a campanhas publicitárias!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Definições

Natal 2.0

Depois de resistir várias semanas no facebook, vi finalmente o vídeo. E não é que merece ser partilhado? Belo cartão de Natal!


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Natal Solidário

Desafio chegado por email. E se, em vez de andarmos todos armados em Pais Natal a comprar prendas para a família como se não houvesse amanhã, oferecêssemos o que temos em casa a quem mais precisa?

Visitem http://ajudaopainatal.blogspot.com para mais detalhes.

Dar a cara

Depois de ter sido atacado e esmurrado para lhe roubarem, entre outras coisas, um relógio Hublot, o patrão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, deu a cara por este anúncio da marca, onde se pode ler “See what people will do for a Hublot”.

Melhor oportunidade era difícil.