quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Como o endividamento se torna "a way of living"

Espero que o título não seja enganoso porque se estão à espera que explique o título, podem deixar de ler desde já. Não sei como é que o endividamento (referente ao crédito imobiliário) virou moda em Portugal (bem como noutros países um pouco por todo o mundo). Mas debato-me com esta questão.

Acho que este sim seria um grande case study para a área de comunicação. Foram os Bancos? Os Governos para estimular a economia e o seu sistema? Confesso que não sei a origem, até porque já nasci com esta realidade da mania das pessoas comprarem casa, mas acho que o lobby só falhou nos países nórdicos e alguns do centro da Europa. Coincidência serem países cujas economias são estáveis e prósperas e onde um arrendamento é visto como a opção correcta... até porque como ouvi há uns anos numa reportagem de TV sobre o mercado imobiliário na Escandinávia, "eu sou um cidadão comum, porque raio devo ser dono de um imóvel se só me serve para viver durante um período de tempo? Isso só teria razão de ser se fosse um investidor do sector imobiliário".

Talvez à imagem do que acontece com o tabaco, que apesar de ter na embalagem imagens e palavras dissuasoras do seu consumo, continua a ser consumido avidamente em todo o mundo, também a Compra de Casa se tornou um vício. Todos querem comprar uma casa. Ter uma casa da qual sejam donos. Mesmo que as notícias como esta ou esta indiquem às pessoas que o caminho a tomar talvez fosse outro... Sem dúvida um case study de sucesso. Só não estou certo é se é de comunicação ou mais de natureza política/económica.

2 comentários:

Anónimo disse...

Tenho para mim que a explicação é muito simples: por muito que os spreads e as taxas com nome divertido como a Euribor subam, comprar casa, com crédito concedido por um banco, fica na maior parte das vezes mais barato do que pagar uma renda. Pelo menos nas maiores cidades do país. O mercado de arrendamento é que devia ser alvo de estudo porque aí sim reside especulação, trafulhice, lacunas na lei, lei mal aplicada, etc. São surreais os valores das rendas que se praticam em Lisboa e Porto...

JM disse...

Caro Anónimo, essa explicação é sem dúvida a mais óbvia. Mas convenhamos algo rudimentar. A diferença entre crédito e arrendamento n se reduz ao valor do pagamento no fim do mês. Um crédito implica um elevadíssimo pagamento à cabeça de uma série de despesas processuais e legais, como IMT, registos, etc. E num empréstimo paga-se uma casa uma vida, acabando por pagar um valor muito acima daquele que a casa vale e que o banco nos emprestou. E a sua venda, como agora muitos o sentem, ou resulta em perda de dinheiro, ou na desistência da venda da mesma e eventual aluguer para assegurar o cumprimentos das obrigações bancárias.

É certo que arrendar tb implica pagar para a vida, mas n se está tão dependente da volatilidade dos mercados. Quanto à especulação, parece-me bem maior no mercado de compra e venda do que no de arrendamento...

Por isso, o mérito comunicacional, seja de que quadrante for, é ter-se conseguido enraizar esse pensamento na cabeça das pessoas: Que o q interessa é que é mais barato pagar ao fim do mês, esquecendo-se que depois os bancos nos têm pelos "huevos" até ao final das nossas vidas... e nós, achamos que isso é o máximo e aceitamos viver nessa dependência. Confesso que, pessoalmente, me faz confusão... mas tiro o chapéu a quem conseguiu "Vender" esta ideia, tal como do consumo tabágico. São os dois melhores case studies da história da humanidade, na minha humilde opinião.