sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ídolos

A Diana Piedade tem 98,615 fãs no Facebook.

O Filipe Pinto tem 70,157 fãs no Facebook.

Números muito interessantes para ambos os finalistas do Ídolos. E que permitem a cada um deles manter uma base de fãs activa e muito relevante para lançarem os seus próprios projectos musicais futuros. Mas foi o Filipe Pinto, que tem menos fãs, que ganhou o programa. Reality check: nem só a dimensão e maior presença nas redes sociais servem para definir a preferência do público. Aliás, nem sempre os mais comunicadores, simpáticos e polidos personagens conquistam a preferência do público. A honestidade, um certo amadorismo utópico e resistência à "carreira" musical tradicional deram, no meu ponto de vista, a vitória ao Filipe. Não os seus lindos olhos, mas a autenticidade da sua personagem, que conseguiu impôr num programa que pretende ser uma linha de montagem de estrelinhas.

O amadorismo é uma das características que mais respeito em marcas (pessoais e corporativas). Transparece autenticidade. Verdade. Porque o "amador" persegue algo por vontade e nada mais - não é pelo reconhecimento nem pela carreira ou benefícios associados. Isto porque os amadores têm acesso a algo que os profissionais não têm: a realidade. Perseguem algo porque lhes apetece, porque algo ( os seus valores?) os impele. E mais nada. E isso merece respeito por parte de toda a gente.

Ao parecer um "bicho do mato", o Filipe contou uma história pessoal acerca de si que 1000 status updates da Diana não conseguiram contar. Sem querer comunicar, comunicou. Comunicou que não estava ali pela fama, pela glória, pelo marketing ou o glitter, mas pela música. E vozes à parte, num programa "pop", ganhou o rapaz que não quer ser "pop" - só quer cantar.

Em circunstâncias similares, tendo a achar que um bom outsider ganha sempre ao homem de carreira. Porque o público reconhece no "amador" que vem de fora a vontade e o "drive" que não reconhece no polido profissional.

E por isso acho também que o Fernando Nobre tem grandes hipóteses de sucesso na candidatura à Presidência. Porque, para o público em geral, ele persegue um "higher calling". Ele só quer salvar pessoas. E não é um thinker como Alegre, é um doer. Não está interessado na fama ou na glória ( apesar de ter ficado em 25º lugar no concurso "grandes portugueses"). Se não o colarem completamente ao PS e se ele se afastar dos gimmicks hiper-marketizados de José Sócrates, bem pode ganhar este outro "Ídolos".

3 comentários:

Anónimo disse...

bom texto
abço
RC

Anónimo disse...

A ideia é gira, mas a questão amador-profissional é discutível (e ainda bem:) ).

Filipe foi autêntico e por isso ganhou. Mas quando for profissional (já o será a esta hora??), perderá a autenticidade? Rui Veloso não é autêntico?

Bruno disse...

Não acabei de ler o artigo, no entanto comento aquilo que li.

O facto da Diana ter mais fãs que o Filipe tem muito a ver com a disponibilidade de ambos os concorrentes para as redes sociais.

A Diana, ao contrário do Filipe, promove interacção entre os seus fãs, procurando interagir sempre com os utilizadores da sua página.É por isso que tem uma maior comunidade, não sendo isso sinónimo da repercussão que ambos têm cá fora. Não é uma questão de generalização...se de facto o o Filipe tivesse o mesmo nível de presença no Facebook que a Diana, não duvido que o número de fãs era superior.

A Diana tem uma estratégia que a leva a aproveitar melhor os Social Media.