terça-feira, 31 de março de 2009
Velhos hábitos
"O colonialismo foi um gigantesco esforço de rebranding: como convencer uma chusma de estrangeiros residentes na América do Sul, na África e na Ásia que eram tão portugueses como nós? Acabou por não resultar, como todos sabemos."
Miguel Esteves Cardoso, hoje no Público.
Miguel Esteves Cardoso, hoje no Público.
sexta-feira, 27 de março de 2009
O que é nacional, é bom!

Sai amanhã, Sábado, com um dia de atraso em relação ao previsto, o número um da edição portuguesa da mítica revista PLAYBOY.
Numa altura em que se despedem jornalistas, fecham meios e se concentram redacções, os novos projectos são sempre bem-vindos, sobretudo com conteúdos deste gabarito!
A capa pertence a Mónica Sofia (ok, não é uma Marilyn, mas é o que se arranja por cá) e a Playmate (a miúda que se despe) é a "muito conhecida" Rute Penedos (!).
A todas, bem-vindas!
quinta-feira, 26 de março de 2009
E o povo, pá?

A campanha eleitoral para a Câmara Municipal de Lisboa ameaça ficar ao rubro.
Hoje é apresentada uma das "mais fortes e credíveis" candidaturas. Falo, claro, de Os homens da luta. Às 23 horas, no Musicbox, em Lisboa, Neto e Falâncio, vão dar a conhecer as suas ideias, ou a falta delas, para cidade.
Em pouco ou nada rigoroso exclusivo para o Buzzófias, captámos as imagens de uma das últimas acções de rua da dupla (a gravação do videoclip), onde reivindicavam "dinheiro para comprar um carro novo". Discurso positivo!
Já havia um menino guerreiro, agora temos os homens da luta!
Adidas House Party Commercial - Simpsons Edition
Aproveitando o buzz gerado pelo anúncio da Adidas, que celebrou a originalidade simulando uma House Party frequentada pela Missy Elliot, Beckham, Garnet, K. Perry, entre outros, a Sky 1 criou uma comunicação similar, de forma a promover os Simpsons no seu canal de televisão.
Celebrate Originality - the simpsons spoof:
Celebrate Originality - Adidas Ad:
Kewl...
Celebrate Originality - the simpsons spoof:
Celebrate Originality - Adidas Ad:
Kewl...
Peão exaltado
Acção de guerilha original protagonizada por um grupo de cidadãos anónimos, contra o estacionamento em cima de passeios, passadeiras e outros sítios que tais.
A ideia é colar e apelar à colagem destes autocolantes em todos os carros que se encontrem em transgressão. Os autocolantes podem ser pedidos através do mail peao.exaltado@gmail.com e as fotos da acção em http://passeiolivre.blogspot.com/.
Custo? Impressão de alguns milhares de autocolantes.
Retorno? Notícias com destaque em vários meios de comunicação social.
Pergunta: Quantas agências em Portugal proporiam esta acção a um cliente seu?
Resposta: Certamente muito poucas.
terça-feira, 24 de março de 2009
Batôn. O indicador económico.
Hard Times, but Your Lips Look Great
THE NEW YORK TIMES
Foi o chairman da Estée Lauder quem o percebeu e baptizou (o que faz algum sentido..).
Enquanto se vivem momentos de recessão. Plena crise económico-financeira.
O sexo feminino entra em frenesim na senda da conquista do batôn.
Logo após o 11 de Setembro, a venda duplicou.
Porquê?
Justificações multiplicam-se.
Até a darwinista hipótese da atracção relativa ao sexo oposto para assegurar o futuro. Falamos portanto, de puro instinto de sobrevivência associado à dependência (?!? …sugestão claramente machista).
A minha aposta vai mesmo para o saciar da shopaholic que corrompe e oprime qualquer uma.
Há que comprar algo. E algo que embeleze.
Encarar a depressão de forma encantadora.
Não se consegue levar o vestido…o sapato ou a carteira.
Mas a cor dos lábios é outra. Nova. Atraente.
Um pequeno poder de compra. Bem além do essencial.
Um affordable luxury.
Tão próximo e íntimo que fica na mente e nas palavras de uma mulher.
Antes o atum em lata que um lábio deprimido.
Bife do lombo não tem o encanto de uma cor que amacie a boca.
Não trava atenções.
Não só é económico.
É um indicador social.

...e a indústria de cosmética agradece.
THE NEW YORK TIMES
Foi o chairman da Estée Lauder quem o percebeu e baptizou (o que faz algum sentido..).
Enquanto se vivem momentos de recessão. Plena crise económico-financeira.
O sexo feminino entra em frenesim na senda da conquista do batôn.
Logo após o 11 de Setembro, a venda duplicou.
Porquê?
Justificações multiplicam-se.
Até a darwinista hipótese da atracção relativa ao sexo oposto para assegurar o futuro. Falamos portanto, de puro instinto de sobrevivência associado à dependência (?!? …sugestão claramente machista).
A minha aposta vai mesmo para o saciar da shopaholic que corrompe e oprime qualquer uma.
Há que comprar algo. E algo que embeleze.
Encarar a depressão de forma encantadora.
Não se consegue levar o vestido…o sapato ou a carteira.
Mas a cor dos lábios é outra. Nova. Atraente.
Um pequeno poder de compra. Bem além do essencial.
Um affordable luxury.
Tão próximo e íntimo que fica na mente e nas palavras de uma mulher.
Antes o atum em lata que um lábio deprimido.
Bife do lombo não tem o encanto de uma cor que amacie a boca.
Não trava atenções.
Não só é económico.
É um indicador social.

...e a indústria de cosmética agradece.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Quando os utilizadores tomam o controlo - processos de co-criação.
Inerente à definição de "social media" numa determinada plataforma, está a criação e gestão do conteúdo da mesma por parte dos seus utilizadores. O twitter nada é sem os seus twitterers.
Assim, estas plataformas terão sempre de ter uma atenção especial para com os seus utilizadores, incluíndo-os no processo de criação, ou pelo menos de autenticação, de qualquer mudança feita na plataforma.
Quando o Facebook modificou os seus termos de serviço, os utilizadores manifestaram-se contra a mudança, obrigando a plataforma a recuar nos seus planos.
Agora é a nova homepage do Facebook que se revela pouco querida aos olhos dos facebookers. E, novamente, alavancando as suas vozes através das próprias ferramentas daquela plataforma - em jeito de megafone - os utilizadores querem que o Facebook volte atrás.
Pessoalmente, não gosto da nova homepage do facebook - parece-me demasiado colada ao twitter. Mas o problema que se levanta é o da co-criação. Até que ponto é que os utilizadores não estarão a travar a evolução natural da plataforma onde se encontram, simplesmente porque são resistentes à mudança?
Isto porque, nos processos de co-criação, o que é realmente importante para o sucesso, é integrar as opiniões das diversas partes numa só. No entanto, é sempre necessária a presença de um project manager de forma a filtrar as diversas partes - se tal não acontecer, assistir-se-á simplesmente à criação de diversos grupos de poder (liderados pelos alfas da plataforma) que tentarão conduzir a evolução tecnológica da mesma para perto dos valores por eles defendidos.
O Facebook, desde o início, assumiu que os project managers da plataforma eram os seus utilizadores. Foi exactamente por isso, pela possibilidade de customizar e alterar a plataforma, que o facebook atingiu o sucesso. No entanto, agora que os utilizadores estão realmente no poder, a equipa por trás do facebook - Zuckerberg e companhia - parece estar a perder o seu. E a falta de poder na equipa de getão conduz necessariamente a uma perda de reputação da mesma e de valor para a empresa - se ela não controla o seu destino, então o seu valor reduz-se drasticamente.
A minha opinião pessoal - por mais que possa doer aos adeptos do user generated content - é que deve sempre existir um project manager, mesmo nas plataformas geridas por utilizadores. As opiniões precisam de ser filtradas e orientadas por alguém, já que se corre o risco da estagnação da mesma, caso contrário.
Sou adepto da Sabedoria das Multidões. Mas, nesse processo, em que é a multidão é que toma a decisão final, só em média é que ela estará correcta. E quando o objectivo é a média, os resultados só poderão ser, simplesmente, medianos.
Co-criação, sempre. Mas assistida.
Assim, estas plataformas terão sempre de ter uma atenção especial para com os seus utilizadores, incluíndo-os no processo de criação, ou pelo menos de autenticação, de qualquer mudança feita na plataforma.
Quando o Facebook modificou os seus termos de serviço, os utilizadores manifestaram-se contra a mudança, obrigando a plataforma a recuar nos seus planos.
Agora é a nova homepage do Facebook que se revela pouco querida aos olhos dos facebookers. E, novamente, alavancando as suas vozes através das próprias ferramentas daquela plataforma - em jeito de megafone - os utilizadores querem que o Facebook volte atrás.
Pessoalmente, não gosto da nova homepage do facebook - parece-me demasiado colada ao twitter. Mas o problema que se levanta é o da co-criação. Até que ponto é que os utilizadores não estarão a travar a evolução natural da plataforma onde se encontram, simplesmente porque são resistentes à mudança?
Isto porque, nos processos de co-criação, o que é realmente importante para o sucesso, é integrar as opiniões das diversas partes numa só. No entanto, é sempre necessária a presença de um project manager de forma a filtrar as diversas partes - se tal não acontecer, assistir-se-á simplesmente à criação de diversos grupos de poder (liderados pelos alfas da plataforma) que tentarão conduzir a evolução tecnológica da mesma para perto dos valores por eles defendidos.
O Facebook, desde o início, assumiu que os project managers da plataforma eram os seus utilizadores. Foi exactamente por isso, pela possibilidade de customizar e alterar a plataforma, que o facebook atingiu o sucesso. No entanto, agora que os utilizadores estão realmente no poder, a equipa por trás do facebook - Zuckerberg e companhia - parece estar a perder o seu. E a falta de poder na equipa de getão conduz necessariamente a uma perda de reputação da mesma e de valor para a empresa - se ela não controla o seu destino, então o seu valor reduz-se drasticamente.
A minha opinião pessoal - por mais que possa doer aos adeptos do user generated content - é que deve sempre existir um project manager, mesmo nas plataformas geridas por utilizadores. As opiniões precisam de ser filtradas e orientadas por alguém, já que se corre o risco da estagnação da mesma, caso contrário.
Sou adepto da Sabedoria das Multidões. Mas, nesse processo, em que é a multidão é que toma a decisão final, só em média é que ela estará correcta. E quando o objectivo é a média, os resultados só poderão ser, simplesmente, medianos.
Co-criação, sempre. Mas assistida.
quinta-feira, 19 de março de 2009
E o Design do Ano vai para...
Hope by Shepard Fairey, ganhou o Brit Insurance Design of the Year.
Por tudo e mais alguma coisa seria de prever que esta imagem se tornaria icónica. A mim caiu-me no goto. Parabéns ao senhor Shepard!
Unidade
Parece que cada vez mais caminhamos para uma unificação total. Fala-se, em determinados círculos, na possibilidade de avançarmos para uma moeda única universal, um governo único, etc. Enquanto isto não passa de ficção, até ver, parece que caminhamos isso sim para uma unidade nas redes sociais.
Christopher Moser, responsável para a Península Ibérica da rede social Myspace, esteve em Portugal e em entrevista ao Público admitiu que esse é o caminho para as redes sociais. Um só log in, uma só plataforma, onde podemos consultar todas as redes sociais às quais pertencemos.
Sem dúvida que é mais prático, mas nesse caso, qual será o futuro da publicidade a este nível. Os anunciantes já não terão de fazer campanhas directamente nas redes sociais mas sim nessa plataforma única? E nesse caso, para quem reverterão os investimentos publicitários? Para qual das redes sociais?
O caminho parece estar definido, falta limar estas arestas.
Christopher Moser, responsável para a Península Ibérica da rede social Myspace, esteve em Portugal e em entrevista ao Público admitiu que esse é o caminho para as redes sociais. Um só log in, uma só plataforma, onde podemos consultar todas as redes sociais às quais pertencemos.
Sem dúvida que é mais prático, mas nesse caso, qual será o futuro da publicidade a este nível. Os anunciantes já não terão de fazer campanhas directamente nas redes sociais mas sim nessa plataforma única? E nesse caso, para quem reverterão os investimentos publicitários? Para qual das redes sociais?
O caminho parece estar definido, falta limar estas arestas.
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terça-feira, 17 de março de 2009
o meco das companhias aéreas
Pois então as companhias aéreas já tinham feito tudo para promover as suas tarifas, certo? Certo.
Mas, a Aer Lingus quis continuar a tentar. Por isso, hoje juntaram 999 passageiros recrutados via Facebook e Twitter, para promover os seus voos a 9.99 libras.
E, como a companhia diz que este valor não tem "hidden extras", os 999 soldados do ar foram nús passear em Londres.
Mas, a Aer Lingus quis continuar a tentar. Por isso, hoje juntaram 999 passageiros recrutados via Facebook e Twitter, para promover os seus voos a 9.99 libras.
E, como a companhia diz que este valor não tem "hidden extras", os 999 soldados do ar foram nús passear em Londres.
zen moment
"Following the rules makes sense. That’s why we have rules. Breaking the rules won’t work. Until it does. Then everyone can agree.
And, of course, it’s the same in advertising. Breaking the rules won’t get any agreement. If you ask for permission you won’t get it. But once you break the rules, and it works, people can see it makes sense. Then that becomes part of the new rules.
Which can’t be broken. That’s how it goes.
If you wait for permission, you’ll never get into trouble. You can’t be wrong, but you can’t do anything truly exciting either.
Helmut Krone was one of the greatest art directors ever. He did two of the all-time best advertising campaigns. He said, “If you can look at something and say ‘I like it’ then it isn’t new.”
no blog do Dave Trott.
Ah, e leiam o resto, porque a historia vale a pena.
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sexta-feira, 13 de março de 2009
the ultimate fashion accessory
A quem servir a carapuça
I notice increasing reluctance on the part of marketing executives to use judgment; they are coming to rely too much on research, and they use it as a drunkard uses a lamp post for support, rather than for illumination.
- David Ogilvy
E onde David pôs marketing executives, há uma lista de novos cargos que encaixam na descrição.
- David Ogilvy
E onde David pôs marketing executives, há uma lista de novos cargos que encaixam na descrição.
quinta-feira, 12 de março de 2009
A nossa vez..

Já aconteceu com Tatuadores, com Designers de Moda e até com Pescadores de Caranguejo. Mas eis que chega finalmente a vez dos PR.
Estreia hoje na MTV Portugal: "The Celebrity Agency".
Um reality-show que segue as aventuras e desventuras prosissionais e pessoais dos agentes da Jonathan Lipman Ltd. Uma agência de PR expecializada em celebridades desde a lista A, à lista Z.
Hoje, às 23h00. A confirmar o "realismo"...
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Das equipas 2
Tudo bem que "vícios privados, públicas virtudes". Mas é preciso ter cuidado quando se apregoa a própria grandeza e, pela porta da cozinha, se sabe que os trocos andam contados.
Das equipas
A questão das equipas e uma questão recorrente no mundo profissional da comunicação. A construção de uma equipa forte, coesa, eclética, que se complemente, é o sonho de qualquer bom director - estejamos a falar de uma agência de comunicação, publicidade, design, you name it. Sobre a construção das equipas há várias teorias, mas não é sobre elas que vou aqui discorrer. Gostaria de me focar num ponto: coesão.
Mais do que ser coesa, uma equipa tem de parecer coesa. Quando uma equipa surge fragmentada, mostra fragilidade. Isso significa que é preciso ter cuidado quando se escolhem os porta-vozes da equipa. Se há quem possa reforçar o carácter excepcional da mesma, outros há que, em poucas palavras, deixam à vista as fragilidades de uma equipa que se diz forte.
Mais do que ser coesa, uma equipa tem de parecer coesa. Quando uma equipa surge fragmentada, mostra fragilidade. Isso significa que é preciso ter cuidado quando se escolhem os porta-vozes da equipa. Se há quem possa reforçar o carácter excepcional da mesma, outros há que, em poucas palavras, deixam à vista as fragilidades de uma equipa que se diz forte.
Cavaco e o Oitavo mar.
“Presidência da República iniciou presença oficial na rede social Twitter”, lê-se, numa micro-mensagem emitida no dia 20 de Janeiro, naquela que é a nova plataforma-coqueluche da sociedade 2.0. E assim se aventura a Presidência Portuguesa, sobre o mais recente e oitavo mar, desta vez traçando caminhos por entre bits e bytes - não menos traiçoeiros e estranhos que ondas ou monstros marinhos.
Mas Cavaco não é, desta feita, descobridor: se, “no antigamente”, o Português decidiu, por vontade própria (e do Império!), traçar as formas ao mundo, desta vez foi o mundo que se nos deu a descobrir. Isto porque o “government 2.0” – neologismo que define a tentativa de integrar as vantagens da web 2.0 na prática governamental – foi já descoberto como meio de comunicação eficaz no continente do lado de lá, que um dia foi destino, mas que, no que diz respeito a estas americanices, é ponto de partida. A sua figura de proa é o actual presidente norte-americano, Barack Obama, grumete que se fez capitão, à custa das plataformas Facebook, Twitter, Friendfeed, Flickr*, entre outras, que para muito mais servem do que pescar (votos). Vejam-se as medidas por ele introduzidas no sítio oficial da Casa Branca (http://www.whitehouse.gov/), (des)protegendo os seus conteúdos utilizando uma licença “creative commons”, âncora da sociedade 2.0 que, naquele caso em concreto, oferece uma saudável alternativa ao tradicional “todos os direitos reservados”, permitindo serem copiados e remisturados os conteúdos oficiais partilhados nesse sítio, desde que citada a sua fonte.
Para além do Twitter – ferramenta utilizada para escutar e partilhar micro-pensamentos, limitados a 140 caractéres, dentro de uma rede de utilizadores – a Presidência Portuguesa aderiu também ao Flickr e ao Youtube, de forma a melhor partilhar conteúdo multimedia. Mas as semelhanças entre Obama e Cavaco no que diz respeito à utilização das redes sociais esgotam-se na partilha dos mesmos terrenos virtuais, já que ao nível da mensagem e do posicionamento são claramente divergentes. Estes “novos meios para melhor dialogarmos nas sociedades modernas” aos quais se refere Cavaco Silva, em mensagem pessoal difundida pelo sítio da Presidência Portuguesa, são utilizados pela mesma sem qualquer intenção de dialogar - acto que pressupõe uma interacção bilateral entre dois ou mais envolvidos – já que não há registo público de uma qualquer interacção entre a Presidência e os seus 2194 seguidores** no twitter. Ao invés, as mensagem e os conteúdos partilhados pela Presidência nessa plataforma somente repetem a sua agenda, publicada no sítio oficial da mesma: uma rápida pesquisa ao profile da Presidência ( http://twitter.com/presidencia ) informa-nos das condolências prestadas, inaugurações presenciadas e audiências concedidas pelo nosso Presidente. Para um igual papel servem o Flickr ou o Youtube, usados como forma unilateral de comunicação, talvez na esperança de aumentar o alcançe da voz presidencial - sem no entanto ajustar a mensagem ao meio adequado. Poder-se-á assim dizer que os meios utilizados actualmente são de facto inovadores, mas a mensagem, de nenhuma forma diferente daquela que é já transmitida via os media tradicionais, servirá somente para replicar a relação actual com o cidadão, ao nível digital. Isto porque o fosso cavado entre os órgãos democráticos do país e os seus cidadãos não é digital, mas de cidadania. E se foi essa a lacuna que Obama decidiu colmatar face ao seu povo, utilizando as redes sociais como ponte, a reprodução de uma mensagem hierárquicamente definida e austera como a actualmente emitida pela Presidência, num meio tão liberal e participativo quanto o da web fá-la-á destacar-se pela sua rigidez de rins e incompreensão do funcionamento destas novas plataformas. Isto porque a sociedade 2.0 é, por natureza, colaborativa. Tecida por links, comentários, posts, troca e partilha de referências. Aqueles que não se sentem à vontade com esta plataforma de comunicação deverão escolher os meios adequados às respectivas mensagens que pretendem transmitir - há sempre a confortável unilateralidade dos artigos de opinião publicados em órgãos de comunicação sociais mais tradicionais.
A Presidência faz bem em não seguir a estratégia de Obama, até porque tem uma agenda própria, um país próprio e cidadãos próprios. Mas aproxima-se do mundo 2.0 com uma mensagem expressa num tom de voz “1.0”. E num ano marcado pelo humanismo, pela vontade de mudança e pela generosidade, os mares já não se enfrentam sozinhos. Antes se partilham cartilhas, se traçam rotas, se rema numa direcção comum. E os que decidirem navegar a solo neste oitavo mar, arriscam-se a encalhar num qualquer pedregulho, escondido sob a superfície luzidia de links, avatares e posts.
*Para aqueles que não estão familiarizados com estes termos, aconselha-se, à boa maneira 2.0, que os procurem no Google.
** À altura da escrita deste texto.
Escrito por "PR" e publicado na Frontline de Março - mas sem os erros ortográficos aqui presentes...
Mas Cavaco não é, desta feita, descobridor: se, “no antigamente”, o Português decidiu, por vontade própria (e do Império!), traçar as formas ao mundo, desta vez foi o mundo que se nos deu a descobrir. Isto porque o “government 2.0” – neologismo que define a tentativa de integrar as vantagens da web 2.0 na prática governamental – foi já descoberto como meio de comunicação eficaz no continente do lado de lá, que um dia foi destino, mas que, no que diz respeito a estas americanices, é ponto de partida. A sua figura de proa é o actual presidente norte-americano, Barack Obama, grumete que se fez capitão, à custa das plataformas Facebook, Twitter, Friendfeed, Flickr*, entre outras, que para muito mais servem do que pescar (votos). Vejam-se as medidas por ele introduzidas no sítio oficial da Casa Branca (http://www.whitehouse.gov/), (des)protegendo os seus conteúdos utilizando uma licença “creative commons”, âncora da sociedade 2.0 que, naquele caso em concreto, oferece uma saudável alternativa ao tradicional “todos os direitos reservados”, permitindo serem copiados e remisturados os conteúdos oficiais partilhados nesse sítio, desde que citada a sua fonte.
Para além do Twitter – ferramenta utilizada para escutar e partilhar micro-pensamentos, limitados a 140 caractéres, dentro de uma rede de utilizadores – a Presidência Portuguesa aderiu também ao Flickr e ao Youtube, de forma a melhor partilhar conteúdo multimedia. Mas as semelhanças entre Obama e Cavaco no que diz respeito à utilização das redes sociais esgotam-se na partilha dos mesmos terrenos virtuais, já que ao nível da mensagem e do posicionamento são claramente divergentes. Estes “novos meios para melhor dialogarmos nas sociedades modernas” aos quais se refere Cavaco Silva, em mensagem pessoal difundida pelo sítio da Presidência Portuguesa, são utilizados pela mesma sem qualquer intenção de dialogar - acto que pressupõe uma interacção bilateral entre dois ou mais envolvidos – já que não há registo público de uma qualquer interacção entre a Presidência e os seus 2194 seguidores** no twitter. Ao invés, as mensagem e os conteúdos partilhados pela Presidência nessa plataforma somente repetem a sua agenda, publicada no sítio oficial da mesma: uma rápida pesquisa ao profile da Presidência ( http://twitter.com/presidencia ) informa-nos das condolências prestadas, inaugurações presenciadas e audiências concedidas pelo nosso Presidente. Para um igual papel servem o Flickr ou o Youtube, usados como forma unilateral de comunicação, talvez na esperança de aumentar o alcançe da voz presidencial - sem no entanto ajustar a mensagem ao meio adequado. Poder-se-á assim dizer que os meios utilizados actualmente são de facto inovadores, mas a mensagem, de nenhuma forma diferente daquela que é já transmitida via os media tradicionais, servirá somente para replicar a relação actual com o cidadão, ao nível digital. Isto porque o fosso cavado entre os órgãos democráticos do país e os seus cidadãos não é digital, mas de cidadania. E se foi essa a lacuna que Obama decidiu colmatar face ao seu povo, utilizando as redes sociais como ponte, a reprodução de uma mensagem hierárquicamente definida e austera como a actualmente emitida pela Presidência, num meio tão liberal e participativo quanto o da web fá-la-á destacar-se pela sua rigidez de rins e incompreensão do funcionamento destas novas plataformas. Isto porque a sociedade 2.0 é, por natureza, colaborativa. Tecida por links, comentários, posts, troca e partilha de referências. Aqueles que não se sentem à vontade com esta plataforma de comunicação deverão escolher os meios adequados às respectivas mensagens que pretendem transmitir - há sempre a confortável unilateralidade dos artigos de opinião publicados em órgãos de comunicação sociais mais tradicionais.
A Presidência faz bem em não seguir a estratégia de Obama, até porque tem uma agenda própria, um país próprio e cidadãos próprios. Mas aproxima-se do mundo 2.0 com uma mensagem expressa num tom de voz “1.0”. E num ano marcado pelo humanismo, pela vontade de mudança e pela generosidade, os mares já não se enfrentam sozinhos. Antes se partilham cartilhas, se traçam rotas, se rema numa direcção comum. E os que decidirem navegar a solo neste oitavo mar, arriscam-se a encalhar num qualquer pedregulho, escondido sob a superfície luzidia de links, avatares e posts.
*Para aqueles que não estão familiarizados com estes termos, aconselha-se, à boa maneira 2.0, que os procurem no Google.
** À altura da escrita deste texto.
Escrito por "PR" e publicado na Frontline de Março - mas sem os erros ortográficos aqui presentes...
quarta-feira, 11 de março de 2009
Criatividade é solução
Esteve ontem em Portugal um dos autores do livro "Brand Bubble", John Gerzema, que explica como evitar que as marcas se distanciem do consumidor.O Diário Económico de hoje diz que segundo o especialista norte-americano, a crise pode ser uma época de oportunidade, basta que as marcas saibam posicionar-se com ideias criativas e pouco dispendiosas, onde a Internet assume papel fundamental.
Finalmente alguém tem uma palavra positiva num cenário que, cada vez mais, é pintado de negro por tudo e todos. É desta que chega a hora das marcas nacionais verem a Internet, Redes Sociais, etc., como uma alternativa credível?
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