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terça-feira, 7 de julho de 2009

Promoções mórbidas


Um grupo de comunicação de Guimarães teve uma ideia tão brilhante (foi empregue ironia) quanto mórbida: sortear um funeral de luxo. Isso mesmo, com direito a tudo do melhor "desde as flores à urna". A notícia não refere, mas os convivas (má escolha da palavra), padre, veículo e "comes e bebes" à descrição devem fazer parte do pacote - morto não incluído.


A metodologia é igual a tantos outros concursos: preencher um cupão (desconheço se é preciso escrever uma frase criativa com as palavras "morte", "jornal" e "Guimarães") publicado nos jornais do grupo e colocá-los numa tômbola instalada num centro comercial da cidade. No dia 18 de Dezembro, bem a tempo de colocar o presente no sapatinho, será feito o sorteio e divulgado o nome do feliz vencedor do funeral que recebe um vale oferta.

O melhor de tudo é que nem é preciso morrer logo porque o vale não tem data para ser gozado nem prazo de validade.

Refere ainda a notícia que "O regulamento prevê que o vencedor possa ‘oferecer’ o funeral a uma terceira pessoa, viva, reencaminhando, assim, a prenda."

Sublinho: "Oferecer o funeral", "pessoa, viva" e "prenda". Isto torna a ideia ainda mais genial porque de facto atire a primeira pedra quem nunca pensou oferecer um funeral a um amigo?


“Se a morte existe para dar sentido à vida, queremos em vida proporcionar a possibilidade de ter um funeral de sonho”, (e quem nunca sonhou com esse dia) salientou a responsável pelo concurso, concluindo que “No Grupo Santiago já oferecemos tudo, desde dinheiro a automóveis, viagens e animais. Por isso optamos por fazer um concurso que pensamos ser único no mundo”.

Cara Sra. único nem sempre quer dizer bom.

sábado, 20 de setembro de 2008

À sombra dos brindes


Vender jornais e revistas, nos últimos anos, requer, essencialmente, metros quadrados. Não apenas para guardar os próprios, mas, sobretudo, para armazenar toda a parafernália que nos é oferecida. Quem compra Caras, leva um par de chinelos João Rolo; quem lê a Lux é presenteado com um fantástico páreo estampado assinado pelo Tenente.

Tudo serve para vender. Recordo com saudade as colecções de posters de figuras religiosas (ainda hoje tenho uma irmã Lucia para troca, caso haja interessados) que fizeram disparar as vendas do DN, ou de cruzes históricas que esgotaram edições do 24 horas, por exemplo, em S. Estevão de Baixo.

Já quase não se compram jornais pelo conteúdo. Escolhe-se o brinde e vê-se com que jornal ou revista vem.

Mas ainda havia alguns resistentes. Havia porque hoje o Sol traz "oficialmente" brinde. Contrariamente ao que o seu director defendeu no arranque do jornal, também o Sol se rendeu aos encantos do Marketing, das ofertas e promoções. A ver vamos se o "logro" se reflecte em vendas.

Um jornal, hoje em dia, é muito mais que isso. É um produto alargado, do qual a informação é apenas uma das variáveis em análise.

Ah, e, pelos vistos, no jornalismo ou no mundo empresarial, a única palavra que conta é a do accionista.