quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Os limites da Liberdade

José Manuel Fernandes e Mário Crespo foram hoje chamados ao Parlamento para depor perante a Comissão de Ética, Sociedade e Cultura.

Porquê, de todos os directores de jornais em funções, foi chamado o ex-director do Público, não sabemos.

José Manuel Fernandes classifica a actuação do Governo junto dos Media de “doentia” e, como exemplo, lembra uma entrevista que lhe foi negada em prole de outro jornal.

Ou seja, o Governo exerceu a sua liberdade de escolher a que Órgão de Comunicação Social deveria dar a entrevista e tal, aparentemente, vai contra a noção de Liberdade de Imprensa de José Manuel Fernandes.

O que a José Manuel Fernandes, e a outros grandes jornalistas incomoda, parece-nos, é, não os limites impostos à Liberdade de Imprensa, mas os condicionantes que a Liberdade dos Outros traz à actuação jornalística.

O problema aqui reside na falta de transparência dos nossos Órgãos de Comunicação Social. Se cada jornal assumisse de que lado está, neste clima de proto-guerrilha política, seria absolutamente óbvio o porquê das escolhas do Governo na hora de “oferecer” exclusivos. Sem surpresas que afectassem os incautos e sempre neutros jornalistas.

Não negamos que existam pressões. Nem tão pouco que exista uma espécie de censura, um “polvo” como o Sol resolveu chamar-lhe. Mas se o Governo é chamado a reflectir e ponderar o seu futuro, também é altura de os jornalistas pensarem e assumirem as suas responsabilidades.

Um jornalismo que almeja o estatuto a que Mário Crespo aspira, não pode, fazendo gala da Liberdade de Imprensa, fazer acusações graves ao Governo em funções socorrendo-se do “disseram-me que ouviram”.

Parece-nos óbvio. E continuamos à espera que o Sindicato dos Jornalistas consiga dizer algo inteligente sobre o tema.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Agências Unidas

... jamais serão vencidas.

Na Bélgica, algumas das maiores agências publicitárias estão unidas contra o canibalismo que vigora nos concursos. Levar uma boa proposta a concurso implica o investimento de tempo e dinheiro. De recursos que são importantes para os clientes já adjudicados. Pedem regras justas. E sobretudo, respeito entre agências. Pela actividade.

Deveriamos nós instituir um Competition Charter?

http://www.ogilvy.be/

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Super Bowl Ad Fever

É o maior evento desportivo do mundo... e provavelmente o maior evento publicitário do mundo também. Os spots nos intervalos custam milhões, apesar da crise ter levado a alguma contenção. As grandes marcas investem tudo em produções ambiciosas para se estrearem neste dia. São muitos os anúncios que vale a pena ver, pelo que destacamos apenas alguns da Doritos, que são hilariantes. Para ver tudo é só clicar aqui.





E já agora, mais um excelente anúncio da madrugada de ontem:



E mais outro, este com o Stevie Wonder e com um jogo que se pode tornar num case study de sucesso:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Para refletir*

"Para se defender a liberdade de imprensa não se podem violar os mais elementares direitos civis. Eu não quero a pata do Governo na comunicação social. Mas também não quero, seguramente, a pata dos jornalistas nos nossos telefones."

Daniel Oliveira no Expresso online.

Na era das petições online, digam-me onde está esta que assino por baixo.

E é impressão minha ou a comunicação social, na ânsia de derrubar o Governo, está a ajudar o país a retroceder uns anos, talvez uns 36?

* Este post foi escrito de acordo com o novo acordo ortográfico, porque nós somos modernos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

How to report the news



Às vezes tenho a sensação de que são todas assim.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mandela Mr. PR


Fui ver o filme "Invictus", de Clint Eastwood. Recomendo.

É uma história bem contada e inspiradora, obrigatória para todos, em particular para quem trabalha nesta área: a da buzzófia.

É um excelente exemplo de como uma campanha de RP, criada pelo PR (Nelson Mandela), consegue unir um país, acabado de sair de anos de apartheid, em torno de uma causa. Em causa, a selecção de rugby, até ali, símbolo do regime segregacionista e renegada por todos os negros, e que foi utilizada pelo presidente como veículo de união na caminhada para a Taça do Mundo, organizada na África do Sul.

Não há segundas intenções, esquemas duvidosos ou objectivos nefastos. Apenas vontade de unir.

A utilização do único negro dos Springbok nas campanhas, as mensagens divulgadas, as acções de RP nos guetos com os jogadores - onde o futebol era rei e o rugby excluído -, até à passagem de um avião comercial, à hora do jogo, por cima do estádio com uma mensagem de apoio à selecção (não sei se isto, na realidade, aconteceu, mas seria genial) são algumas das acções da campanha. E isto com a desconfiança dos media e contra a vontade da maioria da população (importante stakeholder).

No filme, a motivação para a vitória vem de um
poema de William Ernest Henley; na realidade, Mandela entregou ao capitão da selecção, Francois Pienaar, excertos do discurso de Roosevelt, de 1910, "The Man in the Arena" - o que também era um bom título para o filme.

Seja como for, a campanha foi uma boa campanha e o filme é um bom filme.

Lost in Obama

Arranca hoje a sexta e última temporada daquele que é um dos maiores fenómenos de sempre de TV, a série norte-americana Lost.

Se não é novidade para a maioria o conteúdo desta série e o seu enorme impacto mundial, com legiões de fãs nos 5 continentes do globo, o que foi completamente inesperado é o poder que Lost alcançou.

De acordo com o site do Público, a estreia da última temporada da série marcada para a noite de hoje nos E.U.A., obrigou o Presidente Obama a antecipar o discurso do Estado da União, tradicionalmente das 21h às 23h no final de Janeiro, para a semana passada. A decisão, de acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, justifica-se da seguinte forma: "Não prevejo um cenário em que milhões de pessoas que esperam finalmente ter algumas conclusões com Perdidos sejam rasteiradas pelo Presidente".

Um paradigma de como o poder dos media e dos seus conteúdos se podem sobrepôr até ao homem mais importante do mundo.

Ouvido na cave

- Preciso do contacto do editor d' "OInstituto Sá Carneiro".

- Então?

- Ouvi dizer que estavam há procura de artigos de opinião.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Detalhes #2

Vendo o vídeo da Next Power três detalhes saltam logo à atenção - outros haverá:

- Bandeira do Município de Lisboa (Darth Vader?)
- garrafa de Vitamin Water (provocação à concorrência?)
- Pacote de Maizena (temos candidato?)

A subtileza da provocação no seu melhor. E com humor, como eu gosto!


PS: Gosto de ver pessoas com quem trabalhei a aparecer na "TV".

Detalhes

Adoro detalhes. Não as minhoquices irrelevantes com que alguns gostam de perder o seu e o meu tempo, mas os detalhes. Aquelas coisas que fazem, de facto a diferença.

O vídeo da Next Power é um bom exemplo disto, com detalhes geniais. Porquê? Vejam por vocês que eu depois conto o que vi.

Cantona, jornalistas e gaivotas


" 'Quando as gaivotas seguem a traineira, é porque pensam que as sardinhas vão ser atiradas ao mar'. Não é Albert Camus, nem Jean-Paul Satre. É Cantona. Eric Cantona"

Retirado do jornal i. Declaração dirigida aos jornalistas, depois da audiência que se seguiu ao célebre pontapé num adepto que terminou com a carreira do "enfant terible", e na qual pediu desculpa, entre outros, à prostituta com quem dividiu a cama na noite anterior.

É um excelente apontamento de comunicação, bem ao estilo de Cantona, e que, numa tradução livre, expõe a sede por sangue de alguns jornalistas (imagem bem actual face a tendência vampiresca final de 2009/2010).

Ao que parece, as camisolas com esta frase venderam, na altura, como pãezinhos quentes.

Ah! E com isto, o jornal i pôs-me a ler desporto.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Uma Andorinha assim até faz a Primavera!

Confesso que desconhecia a marca de Azeite Andorinha, já com 80 anos de história. No entanto, não será difícil acreditar que em breve todos conhecerão. O site desenvolvido para comunicar a marca é uma lufada de ar fresco em termos de comunicação e uma forma muito interessante de mostrar porque é que o 2.0 é um universo de possibilidades para as marcas usarem.

Consultem o site aqui e enviem o vosso convite para um jantar original, seja ele romântico, amistoso, convivial ou familiar. De certeza que será único! Proporcionado por uma Andorinha que é, neste caso, sem dúvida, a mensageira de uma Primavera que se aproxima.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Um Ministério com Falta de Saúde?

A notícia de hoje avançada pelo It's PR Stupid sobre a 3ª mudança de assessores de imprensa do Ministério da Saúde desde o último acto eleitoral levanta uma dúvida. Qual será o vírus (que não o H1N1) que assola as instalações do Ministério que põe todos os assessores de imprensa a correr?

Mascote (fofinha) do islamismo




É certo que já temos a Daniela Ruah na série-imitação do CSI, a dar um arzinho da sua graça. É certo que Portugal, em termos mediáticos, é Figo, Ronaldo, Saramago e pouco mais.

Mas, desde ontem, conseguimos mais um lugar de destaque.


Abel Xavier é, oficialmente, a nova mascote do Islamismo. O cabelo de pelúcia está lá, o ar de Ken encerado também, agora só faltava mesmo que alguém lhe desse (mais uns) minutos de fama. De futebolista a beato? Ora pois.


Fora de brincadeiras, esta acção de PR é massiva.


Abel Xavier muda de nome e agora passa a ser Faissal, está em Lisboa acompanhado de dois sunitas do emirado de Ras - al - Khaimah e vai jogar hoje no Jogo contra a Pobreza . A sua conversão teve o apadrinhamento do irmão do principe-regente do emirado.

É notícia por todo o mundo e Faissal declara que, com o islamismo alcançou a "paz e mentalidade pacífica". Ora ainda bem, pelo menos agora já garantiu o seu futuro, o da família e ainda pode vir a ser uma ajuda para combater o déficit português.

Numa óbvia acção de comunicação, o Islamismo vê espalhado por todo o lado uma mensagem de paz.

No ar fica a pergunta: se tudo na vida tem um preço, qual foi o de Abel Xavier?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Desleilões desleais

Isto está mau. Nós sabemos que isto está mau. Mesmo com a recente iniciativa do www.cargadetrabalhos.net deixar de “postar” trabalho não remunerado, a verdade é que basta uma vista de olhos diária pelo site em questão para perceber que o desespero por um emprego leva as pessoas a aceitarem situações deploráveis.

Mas parece que há um novo ponto baixo, e tiveram de ser muito, mesmo muito criativos para que conseguissem fazer do “mau” ...”triste”...

http://desleilao.com/

Princípio da “coisa”... A Normajean procura criativos, copys e art’s... abrindo o leque a todos aqueles, que mesmo, sem experiência, querem enveredar por esta carreira...

Para tal criou o “desleilão”... a partir da base de licitação de 1000€, cada candidato deve licitar um valor salarial mais baixo, como quem diz: “estou a disposto a trabalhar por 400€”... a partir desse momento, essa passa a ser a nova licitação... e depois haverá um “honroso” vencedor...

....

Como podemos sequer começar a descrever o quão baixo isto é?... Será pelo princípio de que a base salarial deveria ser o último assunto a ser discutido numa entrevista, um detalhe que só se avalia depois de observadas as qualidades do candidato? Será pelo momento de crise, em que cada vez mais famílias têm dificuldade em suportar o encargo cujos os filhos “criativos” se tornaram, vivendo de ordenados miseráveis, contratos ridículos e muita força de vontade?... Será apenas a mais pura das “chulices”??...

Esperavamos mais da Norma Jean...

O Buzzofias coloca a questão: E se os clientes da Norma Jean fizessem o mesmo, organizando um desleilão de avenças?

Adenda: Sábado o site deixou de estar disponível, depois deste post (modéstia nossa) e da criação de um grupo "de apoio" à causa. Vai na volta a ideia era demasiado criativa.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Um balneário cheio de ratos

A crise que desde a madrugada de ontem assola o Sporting Clube Portugal é o paradigma de como não deve trabalhar um departamento de comunicação. A surpresa só seria surpresa caso não se soubesse quem é a empresa responsável pela comunicação do clube de Alvalade.

Um problema que aconteceu no balneário era de conhecimento público pouco depois. Entretanto, já esta tarde, o capitão João Moutinho leu uma carta de despedida, da qual já se conhece o teor.

Parece que o balneário do Sporting é um barco a meter água por todos os lados, onde os primeiros a fugir são os ratos.

Esta é uma situação inadmissível em qualquer instituição. Não há qualquer controlo do que sai para fora das paredes da organização. Por isso, para quem gere o clube, a questão principal que se impõe não é a demissão ou não demissão do Ricardo Sá Pinto mas, acima de tudo, exigir contas a quem tem a responsabilidade da gestão da comunicação do Sporting.

Será que vão rolar cabeças, ou a estrutura administrativa do Sporting não consegue perceber que, acima de tudo, esta é uma crise comunicacional?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

foi você que disse Coca-cola?

Por falar em guerrilha e coca-cola



créditos: Wieden+Kennedy