Que as novas ferramentas web oferecem novas oportunidades de comunicar, já não é novidade. Que os utilizadores do Facebook se inspirem num anúncio de televisão e se unam numa flashmob capaz de deixar à pinha uma estação de comboio inglesa, isso é outro nível. Pensar em RP sem pensar em Social Media é, claramente, coisa do século passado. Perceber quem tem capacidade para fazer e implementar este tipo de acções é o desafio para as empresas. As RP cinzentas, ditas de "influência", têm de acordar para os novos meios - vide campanha de Obama - para conseguirem chegar mais longe.
Numa recente campanha de imprensa, a Oscar Mayer convida - ou implora? - o utilizador/consumidor a blogar sobre um novo produto.
A prova de que os meios tradicionais estão preparados para referências à web social - ou mero uso de uma buzzword com tão pouca subtileza que chega a ser embaraçoso?
Por várias vezes fizemos aqui e ali o elogio das redes sociais.
Mas infelizmente a partilha tem destas coisas. Além das boas intenções, as redes sociais estão repletas de tarados (pelo menos 90 mil a avaliar pelos dados do MySpace) à procura de informações preciosas que possam usar contra as presas.
É possível ver todos os "tweets" ou filtrar por meia dúzia de critérios - um dos quais a referência a anúncios exibidos nos intervalos do jogo. Usando a linha cronológica no topo, é possível ver a evolução dos termos mais registados - no caso dos anúncios é curioso ver as referências a determinada marca aumentarem e analisar os outros temos mais usados na mesma altura (por exemplo, CareerBuilder.com, lol, funny, liked, cool).
Ainda há quem diga o contrário, mas o Twitter está de facto a chegar ao mainstream - mesmo em Portugal, onde a presença de figuras como Nuno Markl muito faz pela divulgação do serviço (mais, aliás, do que a Presidência da República, por exemplo).
Em breve, talvez uma conversa de café possa começar com um "ontem alguém tweetou..." em vez de "esta semana vi num documentário...".
Por esta altura, todos os anos, são produzidos alguns dos anúncios mais inventivos e bem humorados nos Estados Unidos. O motivo: o campeonato de futebol americano Super Bowl.
Este ano, o preço de exibição de um anúncio de 30 segundos rondou os 3 milhões de dólares. Razão mais do que suficiente para apostar em algo memorável.
A Doritos colocou, pela segunda vez, nas mãos dos consumidores a tarefa de criar um anúncio para a marca. O concurso desenrolou-se online, sendo escolhidos cinco finalistas. O vencedor, revelado apenas no domingo do Super Bowl, foi "Free Doritos":
O anúncio foi também eleito como o melhor anúncio do Super Bowl 2009 pelo USA Today Super Bowl Ad Meter - um ranking criado por esse mesmo jornal. É a primeira vez que um anúncio fan-generated (ou user-generated, dependendo do ângulo com que se olha para estas coisas) é destacado na lista do USA Today.
Fora do ranking, mas também digno de destaque, é o anúncio da CareerBuilder.com (porque às vezes é preciso que nos lembrem quando - e porque - devemos mudar de emprego):
Informação em detalhe sobre todos (ou quase) os anúncios do Super Bowl deste ano nesta página no Mahalo.
Depois da Pirelli e da Lavazza, também a Água das Pedras decidiu apostar em fotógrafos de renome para compor um calendário sensual. Para quem acompanha as últimas campanhas da marca, envolvendo animações com animais, é uma mudança significativa (é certo que a mais recente já fazia a transição).
O calendário vai sendo apresentado no site ao do ano, cabendo a Kenton Thatcher assinar a fotografia de Janeiro - Fevereiro.
Interessante ver que esta campanha, à semelhança do que acontece com cada vez mais marcas, opta por uma forte activação Web 2.0. Ou seja, site personalizado, redes sociais, sites de partilha de vídeos e imagens, etc.. São as marcas a perceberem onde estão os consumidores para aí marcar a sua presença.
Contrariando uma das tendências actuais dos media tradicionais - a aposta forte na Internet, eis que surge o primeiro blog em papel.
Será um "jornal" com seis páginas a cores, impresso em gráficas próximas de cada um dos pontos de distribuição (estações de comboio).
Os blogs e posts a publicar resultam de pesquisas no Facebook, Twitter e outras redes sociais, onde são identificados os autores. Por enquanto só vai estar disponível em Chicago e São Francisco, mas parece um conceito facilmente replicável.
Qualquer empresa se pode orgulhar de ser líder. Basta para isso perder algum tempo a perceber em que critério consegue superar a concorrência. Nem que seja a líder das mais pequenas, ou em critérios nos quais os outros nem concorrem, tudo é possível.
Neste momento, temos as duas principais marcas de cerveja nacionais a travar uma interessante batalha através da publicidade - algo a que já nos habituaram - onde agradecem aos consumidores o primeiro lugar conseguido.
Ambas dizem que são número um. Ambas citam a Nielsen (aparentemente a verdadeira número um). Muda apenas o período em análise e o responsável por tamanho sucesso. A julgar pelos anúncios que passam na TV, o segredo da Sagres reside num homem, Alberto da Ponte, enquanto que a Super Bock atribuiu o seu sucesso a uma equipa.
Quanto a mim, sempre fui um jogador de equipa por isso a minha escolha está feita. Ainda assim, da próxima vez que pedir uma cerveja de pressão (porque Imperial é concorrência), vou ter de me certificar quem é que vai à frente, para fazer uma escolha mais racional.
Este anúncio de 2001 da Agent Provocateur, protagonizado por Kylie Minogue, acaba de ser escolhido como o melhor anúncio de sempre em Cinema. Sinceramente não sei se é o melhor, mas lá que é bom é! Muito bom!
Fica o aviso: O anúncio que se segue contém imagens eventualmente chocantes, não aconselhável a senhoras invejosas.
Uma das consequências da crise do BPP foi o fim das duas páginas de muito boa publicidade, que há vários anos "abriam" a revista do jornal Expresso. Eram duas páginas que cativavam o leitor para o conteúdo (copy) do anúncio, através de uma história (mudavam frequentemente os personagens) repleta de mensagens e apelos implícitos sobre as qualidades do Banco Privado.
Já depois do escândalo rebentar, um dos últimos anúncios, por altura do Natal, trazia uma lista de instituições que valia a pena apoiar naquela época do ano. Por lapso, acrescentamos nós, faltava o contacto do próprio BPP.
Para recordar, aqui ficam alguns exemplos dos anúncios (não são necessariamente os melhores, mas alguns dos que encontrei pela Net):
Em poucas áreas Portugal se pode orgulhar de estar na linha da frente. Aparentemente, a religião é uma delas, pecando (perdoai-me a blasfémia) apenas pela timidez.
Depois do Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, ter colocado a mensagem de Natal de 2008 da Diocese online via YouTube - e de se ter apressado a retirá-la antes que alguém a visse - chega agora a vez do Vaticano criar o seu próprio canal no dito site. Segundo as notícias, esta é uma demonstração de abertura às novas tecnologias por parte da Igreja Católica.
Por isso, receio bem que um dos próximos passos seja recebermos na nossa caixa de correio um email com a mensagem: "O Papa adicionou-te como irmão no Facebook. Clique no link para confirmar."