segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Na marquesa com




Numa iniciativa que mistura a maca (autópsia) com o divã (psicanálise), a revista Wired coloca o trabalho de uma equipa de jornalistas, editores e fotógrafos na horizontal -- e à vista de toda a gente. Em Storyboard: a profile of a profile revelam-se todos os passos que antecedem a publicação de um perfil: a marcação da entrevista, os problemas com a fotografias, as angústias do redactor. O sujeito de tamanhas inquietações é o realizador Charlie Kaufman, homem pouco dado a atenções mediáticas o que obriga a uma abordagem delicada e várias dores de cabeça.

O que mais me impressionou neste show-and-tell é o contacto permanente, aberto e cooperativo entre editorias e repórter. Um trabalho de equipa permanente, atento e cuidado -- sem paternalismos ou tripes de ego.

domingo, 21 de setembro de 2008

Boas notícias

Há boas notícias para quem acompanha este blog. Dois dos autores iniciaram um curso de escrita criativa com quem mais sabe disto em Portugal. Pode ser que a qualidade dos posts melhor (como se fosse possível!).

Entretanto podem seguir, semanalmente, o desenrolar das operações aqui.

sábado, 20 de setembro de 2008

À sombra dos brindes


Vender jornais e revistas, nos últimos anos, requer, essencialmente, metros quadrados. Não apenas para guardar os próprios, mas, sobretudo, para armazenar toda a parafernália que nos é oferecida. Quem compra Caras, leva um par de chinelos João Rolo; quem lê a Lux é presenteado com um fantástico páreo estampado assinado pelo Tenente.

Tudo serve para vender. Recordo com saudade as colecções de posters de figuras religiosas (ainda hoje tenho uma irmã Lucia para troca, caso haja interessados) que fizeram disparar as vendas do DN, ou de cruzes históricas que esgotaram edições do 24 horas, por exemplo, em S. Estevão de Baixo.

Já quase não se compram jornais pelo conteúdo. Escolhe-se o brinde e vê-se com que jornal ou revista vem.

Mas ainda havia alguns resistentes. Havia porque hoje o Sol traz "oficialmente" brinde. Contrariamente ao que o seu director defendeu no arranque do jornal, também o Sol se rendeu aos encantos do Marketing, das ofertas e promoções. A ver vamos se o "logro" se reflecte em vendas.

Um jornal, hoje em dia, é muito mais que isso. É um produto alargado, do qual a informação é apenas uma das variáveis em análise.

Ah, e, pelos vistos, no jornalismo ou no mundo empresarial, a única palavra que conta é a do accionista.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Gente Normal...


E se ao invés de criar mais um blog sobre as tendências mais hips de nichos informados e fashion-sensitive, alguém se dedicasse a compilar as centenas de tendências do mais comum grupo populacional do mundo ocidental?

“Stuff White People Like” é um blog criado por Christian Lander e Myles Valentin que tenta fazer isso mesmo.

Com um humor mordaz, o blog enumera as tendências corriqueiras e “quadradas” da classe média branca e urbana dos E.U.A., por um membro activo do “género” em questão.

O título foi obviamente polémico mas não impediu os 40 milhões de hits do site, as vendas astronómicas do livro e a inclusão do mesmo nas mais prestigiadas listas de best-sellers e must-read dos mais prestigiados sites e publicações no mundo inteiro.

O blog é um excelente exemplo de sucesso, cumprindo à risca todas as regras para alcançar um fenómeno viral, o livro inclui também algo extra, direccionado ao género visado: um teste para descobrir exactamente quão “branco” alguém é na realidade (How White Are You ?).

O blog continua a ser actualizado, inclusive com a participação dos leitores (como um blog deve ser), e a “lista” poderá durar para sempre…

A lista é, também, uma excelente ferramenta para manter os «pés» bem assentes na terra, para nunca esquecer as tendências do maior grupo de consumidores activos no nosso planeta…

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

First

Em comunicação, ser o primeiro é fundamental. O segundo pode ser (e muitas vezes é) o primeiro dos loosers. Estar atento à concorrência é uma coisa. Imitá-la é ridículo. Depois de a Apple lançar esta campanha nos tabuleiros dos aviões:





a Vaio decidiu-se a fazer esta nos combóios:


Ridículo, não?




Abençoada auto-promoção!

Foi notícia há uns dias que, em Agosto, os quatro principais canais de televisão nacionais passaram 77 horas de auto-promoção, cerca de 17% do total de publicidade transmitida durante o mês. Eu acho francamente pouco, sobretudo quando somos brindados com pérolas como este, chamemos-lhe, "teaser". Já nos tínhamos habituado à auto-promoção de elevadíssima qualidade da SIC Notícias, agora é a vez da RTP1 presentear-nos com igual nível. Será o "apoio criativo" da Brandia Central a dar os seus primeiros frutos? 


Ficamos ou não cheios de vontade de ver o, chamemos-lhe, programa de música? 
Abençoada seja a auto-promoção!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O caderno

A Internet permite-nos a estas infâmias. Coloco-me em bicos de pés para dizer que temos "novo colega" na blogosfera. Mais um "escritor a sério", que coloca os seus pensamentos online, quem sabe se para chegar à geração gloogle - aquela que já não consegue ler livros, apenas posts.

A Caixa de Pandora começa a ser aberta

Anos e anos de um monopólio que poderá estar a caminho do fim. Falo da questão dos direitos de transmissão de TV do futebol português, detidos pela Olivedesportos há mais de uma década. A sobrevivência dos clubes portugueses dependeu sempre (e continua a depender) desta "renda". Completamente hipotecados à Olivedesportos, a maior parte dos clubes adiantou receitas de TV para poder sobreviver, dependendo por isso da empresa de Joaquim Oliveira.

Não querendo entrar pelo campo da suspeição que isso levanta, dado a Olivedesportos estar ligada a muitos clubes, numa rede própria da Camorra italiana, a verdade é que o S.L. Benfica se prepara para abrir esta Caixa de Pandora, podendo descobrir todo um novo mundo de possibilidades de obtenção de receitas.

Actualmente, os encarnados são o clube com maior receita ao nível dos direitos de transmissão de TV dos seus jogos em Portugal (7 milhões de euros). Muito? Muito pouco! Qualquer clube do fundo da tabela de Espanha, por exemplo, recebe mais do dobro, senão mais, em cada ano. Daí se explique que um clube como o Levante (último classificado da última edição da Liga Espanhola) tivesse um orçamento muito superior a qualquer um dos três grandes da Liga Sagres.

A transmissão do Benfica-Nápoles, no próximo dia 2 de Outubro, no Canal Benfica, marca aquele que poderá ser o início de uma nova era. Só em 2012 é que as águias terminarão o seu contrato com a Olivedesportos e poderão negociar livremente os direitos de transmissão dos seus jogos em casa do escalão maior do futebol nacional. Mas nessa altura não há qualquer dúvida que os pratos da balança deixarão de estar equilibrados. Se Porto e Sporting não seguirem os mesmos passos, os encarnados poderão descolar a nível nacional e aproximarem-se da primeira linha do futebol europeu.

O problema são os interesses e ligações que ainda existem entre os dragões e leões com Joaquim Oliveira, que tudo indica inviabilizarão a quebra do vínculo. Resta saber qual a resposta da Olivedesportos ao adeus do Benfica. O caminho não será tranquilo para Luís Filipe Vieira, isso é certo...adivinham-se guerras e polémicas nos próximos anos em torno do presidente do S.L.Benfica.

domingo, 14 de setembro de 2008

A tentação segundo Madonna

É hoje um dos concertos do ano. Aquela que é para muitos a diva da pop Mundial está em Portugal e isso, naturalmente, suscita o maior interesse dos media. O que vai comer, onde vai ficar, quais as exigências, etc. preenchem páginas e fazem correr tinta nos jornais. Mas, uma notícia chama a atenção: a segurança.

Por norma secreta, a segurança do evento tornou-se notícia através de um comunicado oficial que, quarta-feira, “aterrou” nas redacções.

Com ele também a agência de comunicação da empresa de segurança se tornou notícia. Não pela excelente estratégia ou pela exemplar acção de comunicação, mas sim pela tentativa frustrada de reparar o erro de divulgar informação vista como confidencial pela organização.

Duas coisas que habitualmente devem ser discretas, tornaram-se noticia e pelas razões erradas. Em comunicação, a tentação de apresentar resultados nunca se deve sobrepor à capacidade de aconselhamento e ao bom-senso. 

Actualmente, a segurança - ainda para mais de uma vedeta mundial - é tema sensível e cliente e agência should know better.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A morte de Steve Jobs - parte II

No seguimento do incidente da publicação do obituário de Steve Jobs, pela Bloomberg, o presidente da Apple respondeu desta maneira. Anteontem, na apresentação do novo iPod Nano.




simples, eficaz, mordaz.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Mau copy #1 (ou a importância de um bom nome)


Na Avenida Almirante Reis, Lisboa, há uma empresa de artes gráficas chamada Tecla 3.

Retirado do site:
«A TECLA 3 foi fundada em 1991 na rua da Palma em Lisboa.
O nosso objectivo foi sempre o da satisfação dos nossos clientes, portanto a nossa qualidade, com o passar do tempo resultou em novos contactos profissionais, que redundaram numa maior exigência técnica».

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Gerar buzz...

Nisto da blogosfera… há que estar atento. É que existe muita gente que não tem mais nada para fazer…

Os nossos amigos do PiaR, criaram o desafio “Word Of Mouth”. E em boa hora o fizeram. Aparentemente por sugestão do caríssimo Rui.

A última intervenção no “Word Of Mouth” do PiaR foi de João Duarte, que enumera (a primeira parte) do “Cardápio informativo de um consultor sedutor”.

Pois é João, vou pegar aqui:

- Entretenimento
- Polémica
- Conflito

Para ir para aqui:

Na newsletter de hoje da Briefing é noticiada a “inauguração” do blogue de José Manuel Costa CEO da GCI (Referida na notícia como CGI, não uma, mas duas vezes). Uma inauguração um pouco desfasada do tempo real, uma vez que o blogue data o último post de 8 Agosto (Será que estivemos a fazer posts durante um mês para os por on-line apenas agora? Ou a Briefing só deu pelo blogue hoje de manhã?)

José Manuel Costa foi, também, convidado para a uma intervenção no Word Of Mouth do PiaR. O post surgiu ontem, 8 de Setembro… Mas ao invés de criar um novo post, assina o mesmo post que criou para o seu próprio blogue no dia 26 de Agosto.

Será que isto era uma espécie de teaser do seu próprio blogue que inaugurava oficialmente no dia seguinte? Será que o blogue de José Manuel Costa, de facto, só se tornou público hoje? Faria sentido, mas para a próxima acho que devia atentar na estratégia (melhor, e mais adaptada ao meio em questão) do já referido João Duarte, que deixou a segunda parte do “Cardápio informativo de um consultor sedutor” para o seu próprio blogue…

E, citando José Manuel Costa, não levem nada disto a peito, estamos apenas a “…gerar buzz…”, afinal de contas, somos o Buzzófias.

O tweed e o presente do conjuntivo



O Golfe Report, na Sic Notícias, não é apenas a maior concentração televisiva de polos Ralph Lauren. Não. Este indispensável magazine dedicado ao golfe em Portugal é muito mais do que isso: é um farol do mau português, a lanterna que ilumina o obscuro caminho da má gramática.

No Golfe Report é relatada a vida de uns senhores que se juntam ao domingo para 'jogar ao gólfe'. Como se não fosse suficientemente duro vê-los na TV com aquele bronzeado que parece durar um ano inteiro, ainda temos de saber que eles praticam um bizarro desporto: golfar.

O Priberam explica.

golfar: v. tr.,
expelir em golfadas;
vomitar, jorrar;

arremessar em grande quantidade;

O cavalheiro do Mercedes mal estacionado está a ler isto e a torcer o nariz?

Então vamos chamar o Ciberdúvidas:

Lê-se 'gôlfe', se for o nome dum jogo; e 'golfe', se for o verbo 'golfar' no presente do conjuntivo: 'que eu golfe, que ele golfe (gólfe).

Se vamos tentar ser muito brit então o melhor é encomendar um modelito todo em tweed para as tardes de domingo. Se queremos manter a fonética da palavra convém ter em atenção as homófonas -- e os ouvidos alheios.


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ao som das marcas!

Se muita gente tem escrito sobre o fim da indústria musical como a conhecemos, também é verdade que este negócio sabe, por vezes, reinventar-se dentro de plataformas de marketing e comunicação, que de tão inovadoras, podem ser consideradas um quase “mecenato” das marcas à música. Mas nesta parceria ganham as duas partes. Se é verdade que os artistas descobrem uma nova plataforma de divulgação, não é menos verdade que as marcas encontram na relação emocional que esta tem com o público, um «aproach» quase directo à relação emocional que o «target» tem com o produto em questão.

Para ilustrar exemplos vou mencionar três projectos musicais que figuram na minha lista de favoritos. (Aliás, um deles é mesmo o meu favorito!)

· LCD SoundSystem e a Nike
· Digitalism e a Mercedes
· Justice e a Dior















Aconteceu já há quase dois anos. Os LCD SoundSystem foram convidados pela Nike Running para criar uma música de aproximadamente 45 minutos para acompanhar um workout completo dos joggers que aderissem à tecnologia Nike Running. Desta parceria nasceu a faixa «45:33». Dois anos passados e a Nike já convidou, que eu saiba, pelos menos mais três projectos musicais para fazerem algo semelhante: A-Trak, Cassius e Fujiya & Miyagi.



Para o lançamento do Mercedes-GLK, a conhecida marca alemã convidou os Digitalism (também alemães) para criarem uma faixa exclusiva para acompanhar um vídeo-clip completamente interactivo que pode ser visto em http://www.mercedes-glk.com/. Assim nasceu: «Taken Away».



Para o desfile da colecção Primavera/Verão 2009 da casa Dior HOMME, os Justice criaram não uma, mas quatro faixas a que chamaram de «Planisphere». Sendo que o sucessor do álbum «» é dos mais aguardados pelos fans, escusado será dizer que a colecção de moda conseguiu criar um impacto que vai muito além dos interessados no tema.

Pensar fora da caixa


Reparem onde estão os braços de Nani na terceira parte desta fantástica fotomontagem d' A Bola. É assim mesmo!

domingo, 7 de setembro de 2008

LOMO




O sonho de qualquer marca é ser amada. Mais que desejada – o desejo esmorece. Uma marca amada tem seguidores, tem consumidores fieis, tem um nível de lealdade que se regista em poucos campos profissionais.

E, como é que se sabe que a nossa marca é amada? Quando milhões – sim, milhões – de consumidores se juntam, em todo o mundo, para partilhar o seu amor, para registar as suas experiências, quando ser-se consumidor de determinada marca se torna um status.

Isso acontece com a marca de material fotográfico russo LOMO. Tudo começou quando uns estudantes austríacos encontraram exemplares da máquina point and shoot LC-A, numa fábrica na Rússia, e se apaixonaram pelos resultados: cores explosivas e um foco imprevisível.

Resumindo a história – que podem consultar aqui – estes estudantes conseguiram espalhar, por todo o mundo, a missão LOMO, reactivaram a fábrica, e actualmente têm uma plataforma global onde milhões fazem upload das suas imagens, criam portfolio, participarm em concursos. partilham dúvidas e técnicas. Mas, não fica por aqui - para além do site internacional, existem mais de 80 embaixadas lomográficas em dezenas de cidades e milhões de páginas sobre este fenómeno.

Muitos não entendem o fenómeno: é que as máquinas são estranhas, a sua fiabilidade é quase nenhuma e o seu preço é tão exagerado – não esquecer que a maioria das máquinas são de plástico – que quase parece um pequeno luxo.

Mas, nada disso importa quando se fala de amor.

sábado, 6 de setembro de 2008

Rir sobre o leite derramado

A crise mundial na imprensa escrita levou ao despedimento de centenas de copydesks no final dos anos 90. Os ratos (ou tigres) de biblioteca que caçavam gralhas, erros de sintaxe, ortografia, gramática e outros disparates foram para a rua, abrindo caminho para um admirável mundo novo de enganos hilariantes.

Por cá, há quem se divirta a compilá-los.

A quantidade de estagiários a colocar online takes da Lusa sem revisão é directamente proporcional à quantidade de humor involuntário presente nalgumas edições electrónicas.

(na foto, equipa de copydesk do Wall Street Journal nos anos 60)

Repetição Presidencial

Pegando na deixa do nosso "colega" do PiaR (aproveito para agradecer a simpática referência que nos foi feita) de facto, em Portugal, parece haver escassez de speechwriters. Que o diga Cavaco Silva que em menos de uma semana foi obrigado a repetir (ou quase) o mesmo discurso. Embora estivesse em países diferentes - Polónia e Eslováquia - o PR e o seu staff esqueceram-se que a audiência era a mesma - inclusive os jornalistas. Percalços... 

Valeu o "olho" atento da SIC. (É necessário ver a notícia quase até ao fim)

PS: Hoje em dia, o YouTube, como outros, são canais privilegiados que também contribuem para as audiências. A partilha de informação tem de ser mais célere, para se estar onde os consumidores - leia-se espectadores - estão. Fica a sugestão. 

Bom copy #1

Na Casa do Alentejo (Lisboa) começa daqui a umas semanas um festival de cinema chamado Curtas e Vinho Verde.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sundaes de Almôndegas

«Um sundae de almôndega é um resultado infeliz da mistura de duas boas idéias. As almôndegas são a fundação, as coisas das quais precisamos (e algumas vezes queremos). Elas são os commodities sobre os quais muitos negócios são construídos. As coberturas do sundae (calda quente e coisas do tipo) são o novo marketing, as redes sociais, o Google, os blogs e coisas atrativas que tornam as pessoas empolgadas. O desafio que a maioria das organizações enfrenta: eles tentam misturar os dois. Eles procuram colocar o novo marketing em cima do antigo e acabam com nada mais do que um site malsucedido.»


(Seth Godin, numa entrevista publicada em Ideia 2.0)

Sou fan do Seth

Mais uma vez não desilude. No novo livro (“Meatball Sundae: is your marketing out of sync?”) compara as estratégias de marketing de algumas empresas e organizações a um sundae de almôndegas. Algo que junta duas coisas aparentemente boas de forma singular, mas que resultam terrivelmente quando as tentamos juntar.

Não vou dissertar sobre as ideias do Seth (até porque o livro é bem melhor que qualquer coisa que tente dizer sobre ele), mas insisto na urgência de procurar assegurar estratégias integradas que insistam na mudança e na abertura ao contacto com os clientes…


...É que já estou farto de comer sundaes de almôndegas à portuguesa…

Olhar nos dentes o cavalo dado


A ponta-de-lança da nossa imprensa livre: um jornal gratuito.
Nas redacções da imprensa séria (ler: paga) desvaloriza-se o trabalho dos gratuitos. Todos, sem excepcção, são para forrar gavetas, embalar castanhas e limpar vidros. Mas o Meia Hora é diferente: e há quem esteja a demorar demasiado tempo a perceber isso.
Primeiro, é o mais bem desenhado de todos os jornais diários -- incluindo pagos. Só não é o mais bem desenhado jornal português porque existe o Expresso que, tal como o FCP nos últimos três anos, devia jogar num campeonato à parte.
Segundo, tem as melhores e mais criativas manchetes da imprensa de banca. Não só pelo ângulo escolhido como também pela escolha de palavras; acrescenta de facto algo mais às notícias do dia. E aquele fundo preto com letras brancas nunca vai deixar de ter stopping power.
A manchete de hoje é um óptimo exemplo do jornalismo empertigado que parece ter morrido com o Independente. Combativo, simples, in your face e muito eficaz. O 'governo' angolano proibiu os nossos jornais de fazer cobertura e mete chocolates debaixo das almofadas dos correspondentes que lá estão. À distância, e sem cobrar preço de capa, o Meia Hora dá uma lição de irreverência.

É (só) nisto que somos bons?

Também sou dos que acham a assinatura da campanha da missão paralímpica portuguesa infeliz. A intenção é certamente boa, mas, na minha opinião, não resulta bem. Acho que somos bons em muitas áreas e estes Jogos serão, certamente, apenas mais um momento para o comprovar.

Ainda assim, reconheço que é forte e que isso facilita a discussão e o boca-a-boca. Como li há dias num post, "Ideias que não me deixem com receio do impacto, não são muito brilhantes!"

Mesmo assim vale a pena ver a campanha de TV...

... e também recordar um excelente anúncio - BBDO Portugal. Quem sabe se a justificação para as diferenças de tratamento está mesmo no treino...



Embora sejam de longe mais medalhados do que quaisquer outros atletas, embora tenham sido responsáveis por fazer ecoar o hino nacional em mais estádios olímpicos do que quaisquer outros, estes atletas são bastante diferentes. Não me refiro às deficiências físicas ou psicológicas que possuem, aos subsídios e patrocínios que não recebem ou até aos adidos que simplesmente não estão lá.

São diferentes porque para eles o desporto ainda é isso mesmo, desporto.

Carlos Lopes - não o maratonista campeão olímpico em 84, mas o primo - arrecadou tudo o que há para ganhar em atletismo. Recebe 350 Euros por mês para representar Portugal. Um atleta "normal" receberia 1250 - ainda assim pouco! Bem diferentes.

Os Jogos Paralímpicos começam amanhã em Pequim e prolongam-se até dia 17 de Setembro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Lobby, o monstro papão

"Lobby" e, pior, "fazer lobby" são expressões malditas do vocabulário português. Medo. Horror. Corrupção. Como quase todos os grandes monstros, lobby é um mito enquanto arma a favor do Mal. A nossa imprensa adora falar dos "grandes lobbies" como de grandes tentáculos mafiosos que perturbam a sacrossanta rotina de uma redacção. Cada vez que se fazem perfis ou entrevistas aos grandes nomes das agências de comunicação, o tom é sempre pejorativo. Claro. Eles agradecem. Enquanto os grandes estiverem encobertos por esta bruma de Avalon serão temidos e respeitados. E o lobby, para os pequeninos, será sempre um monstro.

Passando para a vida real, ou para um mundo mais civilizado, "lobby" não é um monstro. É uma regra. Uma regra do jogo mediático e só quem não joga é que não é afectado por esta regra. Reparem, "lobby" ou mover influências, é uma ferramenta de trabalho. Pode, e em última análise deve ser, um trabalho em si. Como ser canalizador ou dentista. E o lobby tanto pode (e deve) funcionar com os grandes poderes, como também pelas pequenas e nobres causas.

Portugal é um país pequeno. Toda a gente se conhece. O país da cunha. Acaba por não ser difícil fazer lobby. É preciso conhecer as pessoas certas. É preciso convencer as pessoas certas. No nosso país isso não é nenhuma tarefa hercúlea. Por isso acredito que aos lobbistas lhes saiba muito bem que o "Lobby" seja um monstro.

Publicidade alternativa


São muitas as formas de publicidade alternativa que diariamente são criadas: Vespas com Mupis, Look Walkers (Mupis com pernas...isto é, às costas de pessoas), entre muitos outros. Tudo vale...por isso apresento mais duas formas de publicidade alternativa que demonstram que as regras do jogo são quase nulas. Vale tudo, menos arrancar olhos...até ao dia!

Se falar em Streaker, muitos questionar-se-ão sobre o que significa esta palavra. Passo a explicar. Sabem aqueles loucos que regularmente invadem grandes eventos desportivos todos nús em busca dos seus segundos de fama? Pois é, viraram profissionais e cobram a valer. Mark Roberts e Jimmy Jumper são os expoentes máximos desta actividade. Começaram a fazer isto por pura demência, mas agora "doaram" o seu corpo a causas maiores. A troco de avultadas quantias, invadem grandes eventos apenas com o nome de uma marca/empresa escrita no corpo.

E parece que compensa...recebem multas pecuniárias irrisórias e ainda acabam a dar autógrafos aos policias que um pouco por todo o mundo os vão prendendo, sempre que estes Streakers entram em acção!

Arrisquem! Quem sabe se utilizar um Streaker não pode ser uma estratégia de sucesso no muitas vezes monótono mundo do marketing em Portugal.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Não só de I-Phone vive o viral...



Viral da Samsung para o OMNIA i900...

O Stan também deve ter comprado um I-Phone…




O vídeo data de Janeiro deste mesmo ano, o conceito, esse já corre tinta e teclados por ai fora há muito mais tempo… Mas o tema não deixa de ser fulcral.

O «prosumer» é hoje o consumidor global e globalizante, integral e integrante, que consome, experimenta o produto, e revela o resultado dessa mesma experiência. Até aqui, nada de novo para quem está minimamente «vulnerável» ao auspicioso mundo da criação constante de conceitos, mais ou menos pretensiosos, nesta comunicação 2.0.

Mas o que realmente me importa é como é que vamos repensar o conceito de consumidor, quando ele mesmo tem um canal total e disponível para comunicar não só com o produtor/criador daquilo que consome, mas também com todos aqueles que consomem o mesmo produto e potenciais consumidores futuros?... Como é que a comunicação pode planificar a reacção do «indivíduo»? A sua relação puramente emotiva e experimental para com um produto e a mensagem que este pretende passar?

No caso I-Phone podemos ver como a figura do prosumer ajuda a causa. Um produto que oferece, claramente, menos funções que os seus pares a um preço nunca inferior, é analisado, experimentado e comunicado de forma massiva e diária pelos seus consumidores. Onde os relatos de experiências positivas ultrapassam notoriamente os exemplos contrários.

Na minha opinião, foi a criação do elo emocional com o potencial consumidor na altura prévia ao lançamento, que serviu de rede de salvação para a protecção da reputação do produto numa era em que a palavra «rede» muitas vezes auspicia o contrário…

Liga-te ao mundo

Na semana passada falámos deste exemplo de marketing viral e hoje, uma semana depois, aqui fica a revelação.

Admito que era um dos meus palpites (pois, pois!?!). Pensando bem nem era difícil.
Prémios tecnológicos, elevados recursos financeiros e era a "Sra." que se seguia do Universo Sonae Distribuição.

O viral (987 comentários, o que tendo em conta as habituais diferenças entre participação activa e passiva deve representar muitos mais page views) e a publicidade funcionaram bem.

Faltou, talvez, a comunicação mais integrada. Talvez para amanhã...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Mínimos Olímpicos

Os Jogos Olímpicos de Pequim que agora terminaram são um caso-estudo de Relações Públicas. O desaire português foi criado em parte por uma histeria mediática pré-onda de crime, e pela clara falta de media training (e bom senso) dos atletas portugueses.

Se os media podem desculpar-se e acenar com a bandeira da silly season, ao comité olímpico vai ser mais difícil arranjar justificações. É que, por acaso, havia um director de comunicação na comitiva portuguesa: João Querido Manha, o decano dos bitaites estatísticos na imprensa especializada viajou até à capital chinesa e por lá ficou a assessoriar os nossos atletas.

Por que é que ainda ninguém se perguntou o que é que o senhor Manha (oh, o humor involuntário, a ironia) andou por lá a fazer? E, já agora, terá Querido (ah ha, outra vez) entregue a carteira profissional número 552 da qual é um orgulhoso portador?

Fica-nos o consolo de saber que João Carlos é um orgulho para Minde. Menos mal.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Se não te juntas a eles, vence-os!

Hoje foi notícia o patrocínio da Super Bock ao Vitória de Setúbal, um dos clubes revelação da época passada. Nada de especial se não fosse o facto de se tratar de um bom exemplo de marketing de guerrilha.

Ora vejamos:
A
Sagres patrocina a Liga Portuguesa de Futebol – milhões de euros investidos directa e indirectamente.
A Super Bock (SB) patrocina clubes da Primeira Liga – certamente bem menos dispendioso.

O potencial mediático do Vitória de Setúbal trará a exposição que a SB pretende junto de um público importante e, assim de tudo, marca uma posição junto da concorrência.

Embora, oficialmente seja a Sagres a patrocinar a Liga, todas as imagens televisivas de treinos e jogos - como os níveis de assistências são tão baixos vê-se certamente a bancada – vão mostrar a concorrência. A ver vamos se outros “patrocínios” surgirão.

Anteriormente, a Super Bock já tinha dado mostras de ser uma marca atenta a esta ferramenta. O patrocínio do
Super Bock Surf Fest, em Sagres, ou o enorme outdoor à entrada da vila Algarvia dizendo “Bem-vindos a Super Bock” são outros exemplos geniais.

Parabéns a quem desenhou a estratégia e a quem a aprovou.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A morte de Steve Jobs

O site de informação financeira Bloomberg publicou, ontem, o obituário de Steves Jobs. Acontece que Steves Jobs não morreu. Inadvertidamente, alguém terá publicado o documentou de 2500 palavras depois de o rever ou actualizar.

É comum as grandes publicações prepararem de antemão obituários de personalidades ou gurus da indústria, de forma a facilitar a publicação de uma notícia no caso de uma morte inesperada. Mas ler um obituário de Steve Jobs poderá ter sido desinquietante para muitos - Jobs venceu um cancro há uns anos e correm actualmente rumores sobre o seu débil estado de saúde.

A este propósito, Steve Yelvington pergunta: estarão os obituários obsoletos?

Yelvington aponta que a Internet mudou a forma como lidamos com o tempo (...). Tudo está disponível agora, bem o sabemos. Ao contrário da imprensa, não é só o novo que está à nossa disposição. Existirá, então, espaço para o obituário quando a entrada de Steve Jobs na Wikipeda é tão completa e - como também diz Yelvington - um verdadeiro documento vivo?

A título de curiosidade, e apesar da Bloomberg ter já retirado o documento da rede, o obituário pode ser lido na Gawker. Causa da morte e idade não incluídas, obviamente.

Outra vez os Olímpicos...

Não sei se deram por isso, mas Pequim recebeu, entre 8 e 24 de Agosto, um dos maiores eventos mundiais. Realiza-se de quatro em quatro anos e junta milhares de atletas, oriundos de centenas de países. Se ainda não acertaram falo, claro, das Olimpíadas... do sexo!

Ao que parece, não são só os portugueses que preferem "a caminha" ao Estádio Olímpico.  Está explicada a razão porque muitos atletas se esforçam tanto para ir aos Jogos Olímpicos (JO) "pela experiência", mas depois não rendem tanto na pista. Segundo Matthew Syed, ex-atleta olímpico e actualmente jornalista do The Times, por detrás do desporto e dos ideais dos JO está um enorme acampamento de escuteiros, cheio de gente jovem e atlética, com as hormonas a fervilhar. 

De acordo com o jornalista, que pode comprovar pessoalmente este fenómeno nos JO de Barcelona e de Sydney, assim que terminam as competições tem início a rambóia. É claro que a notícia já gerou centenas de comentários por todo o Mundo, demonstrando, uma vez mais, que o sexo vende e, muito!

Para a história ficam os números - milhares de preservativos distribuídos e no segredo dos Deuses os usados. 

Como diz o anúncio "faça desporto, mas proteja-se"!

PS: Nos JO, Portugal acabou por obter a melhor classificação de sempre - 49º lugar. Resta saber qual a posição ocupada nestes "jogos". Quem sabe se 20 lugares abaixo?

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

100

Segundo a BBC, a Rainha Isabel II decidiu deixar de enviar um telegrama quando alguém, no Reino Unido, completa 100 anos.

Poupança? Farta de escrever a cada vez mais idosos que suavemente completam o centenário?Mais do que fazer?

Não.

É que até a Rainha já sabe que os telegramas são tão last season...

7 dias desligado?


A avaliar pelo site, quem quis contactar com o Fernando Alvim nos últimos dois dias deve ter tido dificuldades.

Exemplo de marketing viral, com mais recursos do que o normal - mupis, publicidade em revistas, etc, mas certamente eficaz. Os ingredientes estão lá: Gerar curiosidade e buzz, atrair a atenção, site com conteúdos e motivos de interesse para partilhar.

Simples. Eficaz.

melhor comunicação faz-se de forma simples. Uma boa mensagem, acompanhada do copy perfeito. Simples. Eficaz. O Zoo de Buenos Aires percebeu:



Get much more for less


The kangaroos have arrived


115 years


Now we also open at night

mais.




Love is all you need

Um par pouco provável:
Por um lado, uma marca francesa de joalharia, que enche o imaginário das brides to be, e por outro, uma das companhias americanas mais cool.

Quem?
Cartier e Myspace.

Porquê?
A marca francesa queria atingir um novo público, que não sonha com O anel de diamantes, mantendo uma aura de atracção e encanto, e criar novas plataformas para lançar a sua nova colecção: Love Collection.

E como se chega lá?
Com muito amor. Por isso, criaram uma página personalizada no Myspace, lovebycartier. Na lista de amigos da marca estão artistas como Lou Reed, Marion Cotillard, os Phoenix e o Sting. Alguns destes "amigos" da marca, escreveram músicas inspiradas pelo desafio lançado pela marca: "how far will you go for love?".

A ideia é boa, o material artísitico que reuniram é muito bom. Já a adaptação da página da rede social a um conceito de paixão e amor não é inteiramente feliz - falta, exactamente aquilo que querem transmitir. AMOR.

E, nesta altura, as marcas não se podem deixar enganar: digital, mas emocional.

Second Life

Pessoalmente, e o que eu penso vale o que vale, o falhanço do Second Life foi a forma como as marcas não arranjaram um meio termo entre o controlarem inteiramente o seu branding ou deixarem os consumidores participar na construção da identidade das marcas.

Ou seja, pensaram que abrir uma loja no Second Life era aplicar a filosofia de uma loja verdadeira ao formato digital.

Não funcionou. Porquê? Porque no mundo digital, na comunicação directa em que todos são agentes activos, as regras alteram-se.

O Second Life falhou, mas deixou um desafio. Realidades virtuais não são um desafio para amanhã, são um desafio de hoje. O “Avatar-based marketing” tem de ser estudado, aprofundado e compreendido. O SL falhou, mas esta “realidade” veio para ficar.

PR Training

Não, não é engano! À imagem da prática do Media Training, que visa criar porta-vozes das empresas, parece-me cada vez mais importante que as agências de comunicação apostem num outro formato que visa educar os clientes.

É muitas vezes absurda a noção que as empresas têm das agências. O que me leva mesmo a questionar o que está na base da decisão destas ao contratarem uma agência. O chorrilho de asneiras que ouvimos diariamente é de fazer saltar a tampa ao comum dos mortais. E atenção, enquanto consultores, não podemos utilizar a máxima "o cliente tem sempre razão!", pois nesta área em concreto, muitas vezes não tem.

"É preciso controlar o que os jornalistas escrevem! Nem que tenham de ir à redacção!" Em que mundo é que esta gente vive? Acham que ainda estamos no tempo do Estado Novo e que nós somos os Senhores do Lápis Azul? Esta frase foi proferida há dias por um cliente, insatisfeito pelo facto de uma fotografia de um evento social não fazer referência visual à sua marca.

Outro queria fazer uma conferência de imprensa porque vai levar a cabo uma promoção aos seus clientes. E como resposta ao parecer negativo da agência, diz que o poder de influência que temos junto dos jornalistas é insuficiente!

Por isso, defendo que, tal como o McDonalds, que obriga os accounts de comunicação a estarem uma semana a trabalhar num restaurante da cadeia de Fast Food, para conhecerem por dentro a realidade da empresa, as agências de comunicação deviam convidar os seus clientes a estarem deste lado durante uma semana. O objectivo é perceberem que o papel da agência é ter uma relação de confiança e de proximidade com os jornalistas e não investir o papel de vendedor de bíblias que vende tudo, até a banha da cobra.

Temos de ser uma fonte de informação e não o chato que liga todos os dias a saber se o press release chegou, com uma conversa de vendedor, onde tentamos a todo o custo convencer o pobre desgraçado do outro lado da linha que este novo pacote de leite faz milagres, não há outro igual. Pois sim...

Parir Ratos

Pensei que iam anunciar a criação de uma empresa de comunicação integrada. É o passo lógico. Faz sentido e os últimos posts apontavam para isso. Não. Foram buscar o André Macedo.

Especialista em Comunicação Publicitária? Especialista em Comunicação Institucional? Especialista em Relações Públicas?

Mmmmmmm, estratega?

Bom, deve ter alguns contactos. O costume.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

T-shirt 2.0

Descobri uma nova forma de comunicação. Não é a Web 2.0 – convenhamos que vinha um pouco atrasado – mas a T-shirt 2.0 (o número é para dar um ar mais técnico). Uma empresa portuguesa dedica-se a comunicar através de t-shirts. Com poucas palavras e muito humor, a Cão Azul é um exemplo de que a criatividade não tem limites e que qualquer suporte é válido para comunicar. Desde que bem usado!

Num momento em que só a tecnologia parece ter futuro, aqui estão duas pessoas que utilizam uma plataforma com mais de 100 anos (ver wikipedia)

O segredo? Simples. Timing! Como no trabalho de qualquer consultor de comunicação, basta estar atento à actualidade e manter os meios informados sobre o nosso trabalho. Isto aliado a muito talento, esforço e a ajuda de um endorser bem-humorado - no caso Nuno Markl.

Os resultados (notícias) podem ser vistos e lidos no site da dupla.

É ou não PR eficaz?

O Mágico

David Copperfield é um grande ilusionista. Fez desaparecer um boeing e a torre Eiffel. Colados ao ecrã, milhares de espectadores tentaram descobrir o truque. Não decoravam as palavras mágicas, nem os gestos que ele dramaticamente fazia. Sabíamos que era uma ilusão. Que não era verdade. Gostávamos, eram bons programas. A publicidade é muitas vezes assim. 30 segundos de puro deleite. Podemos saber que o que dizem é mentira, ter usado 20 vezes aquele detergente e saber de cor que nem uma nódoa de cuspo tira. Mas se os 30 segundos valerem a pena, no dia seguinte falamos deles e colocamos quem os pensou no Olimpo dos deuses da criatividade. Da próxima vez que formos ao supermercado, compramos o de sempre, talvez o mais barato, talvez o que tira as nódoas, talvez o de marca branca.

A publicidade funciona muitas vezes assim. Às vezes convence, outras não. Mas admiramos e reconhecemos a arte, o engenho e a ilusão de um trabalho, algumas vezes, artístico.

Quando trabalhamos em Media Relations não é assim. Não basta ser um bom ilusionista. Não basta saber uns truques. Quando trabalhamos nesta área, e se queremos ser mesmo bons, temos de ser mágicos. Ser mágico não é ter gestos hipnóticos, nem repetir palavras (conceitos) até que estes percam o sentido. A magia só é mágica quando invisível. Quando nenhum sentido a intui e, sobretudo, quando nem a intuição a sente. O consultor é anónimo e silencioso, calado para o mundo em geral, mas influente. Um consultor não fala, mas é a sua voz que anda na boca do mundo. E isto é magia.

Sobre os inimigos

"Keep your friends close and your enemies closer". No mundo das marcas a lei marcial também se aplica. Conhecer a concorrência é mais do que importante. É vital. Ignorar os estudos como ferramenta de marketing é um erro comum em Portugal. Os estudos são caros e a aposta vai sempre para o que faz mais barulho: publicidade. O verbo "conhecer" é frequentemente substituido pelo neologismo "impactar". Poucos são os profissionais de marketing preocupados em conhecer os seus consumidores, os seus potenciais consumidores, a sua concorrência. Todos querem saber o que a concorrência faz, mas poucos dedicam tempo (e dinheiro) a conhecer os concorrentes, o inimigo.

"Advertising people who ignore research are as dangerous as generals who ignore decodes of enemy signals."

David Ogilvy