sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Olhar nos dentes o cavalo dado


A ponta-de-lança da nossa imprensa livre: um jornal gratuito.
Nas redacções da imprensa séria (ler: paga) desvaloriza-se o trabalho dos gratuitos. Todos, sem excepcção, são para forrar gavetas, embalar castanhas e limpar vidros. Mas o Meia Hora é diferente: e há quem esteja a demorar demasiado tempo a perceber isso.
Primeiro, é o mais bem desenhado de todos os jornais diários -- incluindo pagos. Só não é o mais bem desenhado jornal português porque existe o Expresso que, tal como o FCP nos últimos três anos, devia jogar num campeonato à parte.
Segundo, tem as melhores e mais criativas manchetes da imprensa de banca. Não só pelo ângulo escolhido como também pela escolha de palavras; acrescenta de facto algo mais às notícias do dia. E aquele fundo preto com letras brancas nunca vai deixar de ter stopping power.
A manchete de hoje é um óptimo exemplo do jornalismo empertigado que parece ter morrido com o Independente. Combativo, simples, in your face e muito eficaz. O 'governo' angolano proibiu os nossos jornais de fazer cobertura e mete chocolates debaixo das almofadas dos correspondentes que lá estão. À distância, e sem cobrar preço de capa, o Meia Hora dá uma lição de irreverência.

É (só) nisto que somos bons?

Também sou dos que acham a assinatura da campanha da missão paralímpica portuguesa infeliz. A intenção é certamente boa, mas, na minha opinião, não resulta bem. Acho que somos bons em muitas áreas e estes Jogos serão, certamente, apenas mais um momento para o comprovar.

Ainda assim, reconheço que é forte e que isso facilita a discussão e o boca-a-boca. Como li há dias num post, "Ideias que não me deixem com receio do impacto, não são muito brilhantes!"

Mesmo assim vale a pena ver a campanha de TV...

... e também recordar um excelente anúncio - BBDO Portugal. Quem sabe se a justificação para as diferenças de tratamento está mesmo no treino...



Embora sejam de longe mais medalhados do que quaisquer outros atletas, embora tenham sido responsáveis por fazer ecoar o hino nacional em mais estádios olímpicos do que quaisquer outros, estes atletas são bastante diferentes. Não me refiro às deficiências físicas ou psicológicas que possuem, aos subsídios e patrocínios que não recebem ou até aos adidos que simplesmente não estão lá.

São diferentes porque para eles o desporto ainda é isso mesmo, desporto.

Carlos Lopes - não o maratonista campeão olímpico em 84, mas o primo - arrecadou tudo o que há para ganhar em atletismo. Recebe 350 Euros por mês para representar Portugal. Um atleta "normal" receberia 1250 - ainda assim pouco! Bem diferentes.

Os Jogos Paralímpicos começam amanhã em Pequim e prolongam-se até dia 17 de Setembro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Lobby, o monstro papão

"Lobby" e, pior, "fazer lobby" são expressões malditas do vocabulário português. Medo. Horror. Corrupção. Como quase todos os grandes monstros, lobby é um mito enquanto arma a favor do Mal. A nossa imprensa adora falar dos "grandes lobbies" como de grandes tentáculos mafiosos que perturbam a sacrossanta rotina de uma redacção. Cada vez que se fazem perfis ou entrevistas aos grandes nomes das agências de comunicação, o tom é sempre pejorativo. Claro. Eles agradecem. Enquanto os grandes estiverem encobertos por esta bruma de Avalon serão temidos e respeitados. E o lobby, para os pequeninos, será sempre um monstro.

Passando para a vida real, ou para um mundo mais civilizado, "lobby" não é um monstro. É uma regra. Uma regra do jogo mediático e só quem não joga é que não é afectado por esta regra. Reparem, "lobby" ou mover influências, é uma ferramenta de trabalho. Pode, e em última análise deve ser, um trabalho em si. Como ser canalizador ou dentista. E o lobby tanto pode (e deve) funcionar com os grandes poderes, como também pelas pequenas e nobres causas.

Portugal é um país pequeno. Toda a gente se conhece. O país da cunha. Acaba por não ser difícil fazer lobby. É preciso conhecer as pessoas certas. É preciso convencer as pessoas certas. No nosso país isso não é nenhuma tarefa hercúlea. Por isso acredito que aos lobbistas lhes saiba muito bem que o "Lobby" seja um monstro.

Publicidade alternativa


São muitas as formas de publicidade alternativa que diariamente são criadas: Vespas com Mupis, Look Walkers (Mupis com pernas...isto é, às costas de pessoas), entre muitos outros. Tudo vale...por isso apresento mais duas formas de publicidade alternativa que demonstram que as regras do jogo são quase nulas. Vale tudo, menos arrancar olhos...até ao dia!

Se falar em Streaker, muitos questionar-se-ão sobre o que significa esta palavra. Passo a explicar. Sabem aqueles loucos que regularmente invadem grandes eventos desportivos todos nús em busca dos seus segundos de fama? Pois é, viraram profissionais e cobram a valer. Mark Roberts e Jimmy Jumper são os expoentes máximos desta actividade. Começaram a fazer isto por pura demência, mas agora "doaram" o seu corpo a causas maiores. A troco de avultadas quantias, invadem grandes eventos apenas com o nome de uma marca/empresa escrita no corpo.

E parece que compensa...recebem multas pecuniárias irrisórias e ainda acabam a dar autógrafos aos policias que um pouco por todo o mundo os vão prendendo, sempre que estes Streakers entram em acção!

Arrisquem! Quem sabe se utilizar um Streaker não pode ser uma estratégia de sucesso no muitas vezes monótono mundo do marketing em Portugal.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Não só de I-Phone vive o viral...



Viral da Samsung para o OMNIA i900...

O Stan também deve ter comprado um I-Phone…




O vídeo data de Janeiro deste mesmo ano, o conceito, esse já corre tinta e teclados por ai fora há muito mais tempo… Mas o tema não deixa de ser fulcral.

O «prosumer» é hoje o consumidor global e globalizante, integral e integrante, que consome, experimenta o produto, e revela o resultado dessa mesma experiência. Até aqui, nada de novo para quem está minimamente «vulnerável» ao auspicioso mundo da criação constante de conceitos, mais ou menos pretensiosos, nesta comunicação 2.0.

Mas o que realmente me importa é como é que vamos repensar o conceito de consumidor, quando ele mesmo tem um canal total e disponível para comunicar não só com o produtor/criador daquilo que consome, mas também com todos aqueles que consomem o mesmo produto e potenciais consumidores futuros?... Como é que a comunicação pode planificar a reacção do «indivíduo»? A sua relação puramente emotiva e experimental para com um produto e a mensagem que este pretende passar?

No caso I-Phone podemos ver como a figura do prosumer ajuda a causa. Um produto que oferece, claramente, menos funções que os seus pares a um preço nunca inferior, é analisado, experimentado e comunicado de forma massiva e diária pelos seus consumidores. Onde os relatos de experiências positivas ultrapassam notoriamente os exemplos contrários.

Na minha opinião, foi a criação do elo emocional com o potencial consumidor na altura prévia ao lançamento, que serviu de rede de salvação para a protecção da reputação do produto numa era em que a palavra «rede» muitas vezes auspicia o contrário…

Liga-te ao mundo

Na semana passada falámos deste exemplo de marketing viral e hoje, uma semana depois, aqui fica a revelação.

Admito que era um dos meus palpites (pois, pois!?!). Pensando bem nem era difícil.
Prémios tecnológicos, elevados recursos financeiros e era a "Sra." que se seguia do Universo Sonae Distribuição.

O viral (987 comentários, o que tendo em conta as habituais diferenças entre participação activa e passiva deve representar muitos mais page views) e a publicidade funcionaram bem.

Faltou, talvez, a comunicação mais integrada. Talvez para amanhã...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Mínimos Olímpicos

Os Jogos Olímpicos de Pequim que agora terminaram são um caso-estudo de Relações Públicas. O desaire português foi criado em parte por uma histeria mediática pré-onda de crime, e pela clara falta de media training (e bom senso) dos atletas portugueses.

Se os media podem desculpar-se e acenar com a bandeira da silly season, ao comité olímpico vai ser mais difícil arranjar justificações. É que, por acaso, havia um director de comunicação na comitiva portuguesa: João Querido Manha, o decano dos bitaites estatísticos na imprensa especializada viajou até à capital chinesa e por lá ficou a assessoriar os nossos atletas.

Por que é que ainda ninguém se perguntou o que é que o senhor Manha (oh, o humor involuntário, a ironia) andou por lá a fazer? E, já agora, terá Querido (ah ha, outra vez) entregue a carteira profissional número 552 da qual é um orgulhoso portador?

Fica-nos o consolo de saber que João Carlos é um orgulho para Minde. Menos mal.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Se não te juntas a eles, vence-os!

Hoje foi notícia o patrocínio da Super Bock ao Vitória de Setúbal, um dos clubes revelação da época passada. Nada de especial se não fosse o facto de se tratar de um bom exemplo de marketing de guerrilha.

Ora vejamos:
A
Sagres patrocina a Liga Portuguesa de Futebol – milhões de euros investidos directa e indirectamente.
A Super Bock (SB) patrocina clubes da Primeira Liga – certamente bem menos dispendioso.

O potencial mediático do Vitória de Setúbal trará a exposição que a SB pretende junto de um público importante e, assim de tudo, marca uma posição junto da concorrência.

Embora, oficialmente seja a Sagres a patrocinar a Liga, todas as imagens televisivas de treinos e jogos - como os níveis de assistências são tão baixos vê-se certamente a bancada – vão mostrar a concorrência. A ver vamos se outros “patrocínios” surgirão.

Anteriormente, a Super Bock já tinha dado mostras de ser uma marca atenta a esta ferramenta. O patrocínio do
Super Bock Surf Fest, em Sagres, ou o enorme outdoor à entrada da vila Algarvia dizendo “Bem-vindos a Super Bock” são outros exemplos geniais.

Parabéns a quem desenhou a estratégia e a quem a aprovou.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A morte de Steve Jobs

O site de informação financeira Bloomberg publicou, ontem, o obituário de Steves Jobs. Acontece que Steves Jobs não morreu. Inadvertidamente, alguém terá publicado o documentou de 2500 palavras depois de o rever ou actualizar.

É comum as grandes publicações prepararem de antemão obituários de personalidades ou gurus da indústria, de forma a facilitar a publicação de uma notícia no caso de uma morte inesperada. Mas ler um obituário de Steve Jobs poderá ter sido desinquietante para muitos - Jobs venceu um cancro há uns anos e correm actualmente rumores sobre o seu débil estado de saúde.

A este propósito, Steve Yelvington pergunta: estarão os obituários obsoletos?

Yelvington aponta que a Internet mudou a forma como lidamos com o tempo (...). Tudo está disponível agora, bem o sabemos. Ao contrário da imprensa, não é só o novo que está à nossa disposição. Existirá, então, espaço para o obituário quando a entrada de Steve Jobs na Wikipeda é tão completa e - como também diz Yelvington - um verdadeiro documento vivo?

A título de curiosidade, e apesar da Bloomberg ter já retirado o documento da rede, o obituário pode ser lido na Gawker. Causa da morte e idade não incluídas, obviamente.

Outra vez os Olímpicos...

Não sei se deram por isso, mas Pequim recebeu, entre 8 e 24 de Agosto, um dos maiores eventos mundiais. Realiza-se de quatro em quatro anos e junta milhares de atletas, oriundos de centenas de países. Se ainda não acertaram falo, claro, das Olimpíadas... do sexo!

Ao que parece, não são só os portugueses que preferem "a caminha" ao Estádio Olímpico.  Está explicada a razão porque muitos atletas se esforçam tanto para ir aos Jogos Olímpicos (JO) "pela experiência", mas depois não rendem tanto na pista. Segundo Matthew Syed, ex-atleta olímpico e actualmente jornalista do The Times, por detrás do desporto e dos ideais dos JO está um enorme acampamento de escuteiros, cheio de gente jovem e atlética, com as hormonas a fervilhar. 

De acordo com o jornalista, que pode comprovar pessoalmente este fenómeno nos JO de Barcelona e de Sydney, assim que terminam as competições tem início a rambóia. É claro que a notícia já gerou centenas de comentários por todo o Mundo, demonstrando, uma vez mais, que o sexo vende e, muito!

Para a história ficam os números - milhares de preservativos distribuídos e no segredo dos Deuses os usados. 

Como diz o anúncio "faça desporto, mas proteja-se"!

PS: Nos JO, Portugal acabou por obter a melhor classificação de sempre - 49º lugar. Resta saber qual a posição ocupada nestes "jogos". Quem sabe se 20 lugares abaixo?

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

100

Segundo a BBC, a Rainha Isabel II decidiu deixar de enviar um telegrama quando alguém, no Reino Unido, completa 100 anos.

Poupança? Farta de escrever a cada vez mais idosos que suavemente completam o centenário?Mais do que fazer?

Não.

É que até a Rainha já sabe que os telegramas são tão last season...

7 dias desligado?


A avaliar pelo site, quem quis contactar com o Fernando Alvim nos últimos dois dias deve ter tido dificuldades.

Exemplo de marketing viral, com mais recursos do que o normal - mupis, publicidade em revistas, etc, mas certamente eficaz. Os ingredientes estão lá: Gerar curiosidade e buzz, atrair a atenção, site com conteúdos e motivos de interesse para partilhar.

Simples. Eficaz.

melhor comunicação faz-se de forma simples. Uma boa mensagem, acompanhada do copy perfeito. Simples. Eficaz. O Zoo de Buenos Aires percebeu:



Get much more for less


The kangaroos have arrived


115 years


Now we also open at night

mais.




Love is all you need

Um par pouco provável:
Por um lado, uma marca francesa de joalharia, que enche o imaginário das brides to be, e por outro, uma das companhias americanas mais cool.

Quem?
Cartier e Myspace.

Porquê?
A marca francesa queria atingir um novo público, que não sonha com O anel de diamantes, mantendo uma aura de atracção e encanto, e criar novas plataformas para lançar a sua nova colecção: Love Collection.

E como se chega lá?
Com muito amor. Por isso, criaram uma página personalizada no Myspace, lovebycartier. Na lista de amigos da marca estão artistas como Lou Reed, Marion Cotillard, os Phoenix e o Sting. Alguns destes "amigos" da marca, escreveram músicas inspiradas pelo desafio lançado pela marca: "how far will you go for love?".

A ideia é boa, o material artísitico que reuniram é muito bom. Já a adaptação da página da rede social a um conceito de paixão e amor não é inteiramente feliz - falta, exactamente aquilo que querem transmitir. AMOR.

E, nesta altura, as marcas não se podem deixar enganar: digital, mas emocional.

Second Life

Pessoalmente, e o que eu penso vale o que vale, o falhanço do Second Life foi a forma como as marcas não arranjaram um meio termo entre o controlarem inteiramente o seu branding ou deixarem os consumidores participar na construção da identidade das marcas.

Ou seja, pensaram que abrir uma loja no Second Life era aplicar a filosofia de uma loja verdadeira ao formato digital.

Não funcionou. Porquê? Porque no mundo digital, na comunicação directa em que todos são agentes activos, as regras alteram-se.

O Second Life falhou, mas deixou um desafio. Realidades virtuais não são um desafio para amanhã, são um desafio de hoje. O “Avatar-based marketing” tem de ser estudado, aprofundado e compreendido. O SL falhou, mas esta “realidade” veio para ficar.

PR Training

Não, não é engano! À imagem da prática do Media Training, que visa criar porta-vozes das empresas, parece-me cada vez mais importante que as agências de comunicação apostem num outro formato que visa educar os clientes.

É muitas vezes absurda a noção que as empresas têm das agências. O que me leva mesmo a questionar o que está na base da decisão destas ao contratarem uma agência. O chorrilho de asneiras que ouvimos diariamente é de fazer saltar a tampa ao comum dos mortais. E atenção, enquanto consultores, não podemos utilizar a máxima "o cliente tem sempre razão!", pois nesta área em concreto, muitas vezes não tem.

"É preciso controlar o que os jornalistas escrevem! Nem que tenham de ir à redacção!" Em que mundo é que esta gente vive? Acham que ainda estamos no tempo do Estado Novo e que nós somos os Senhores do Lápis Azul? Esta frase foi proferida há dias por um cliente, insatisfeito pelo facto de uma fotografia de um evento social não fazer referência visual à sua marca.

Outro queria fazer uma conferência de imprensa porque vai levar a cabo uma promoção aos seus clientes. E como resposta ao parecer negativo da agência, diz que o poder de influência que temos junto dos jornalistas é insuficiente!

Por isso, defendo que, tal como o McDonalds, que obriga os accounts de comunicação a estarem uma semana a trabalhar num restaurante da cadeia de Fast Food, para conhecerem por dentro a realidade da empresa, as agências de comunicação deviam convidar os seus clientes a estarem deste lado durante uma semana. O objectivo é perceberem que o papel da agência é ter uma relação de confiança e de proximidade com os jornalistas e não investir o papel de vendedor de bíblias que vende tudo, até a banha da cobra.

Temos de ser uma fonte de informação e não o chato que liga todos os dias a saber se o press release chegou, com uma conversa de vendedor, onde tentamos a todo o custo convencer o pobre desgraçado do outro lado da linha que este novo pacote de leite faz milagres, não há outro igual. Pois sim...

Parir Ratos

Pensei que iam anunciar a criação de uma empresa de comunicação integrada. É o passo lógico. Faz sentido e os últimos posts apontavam para isso. Não. Foram buscar o André Macedo.

Especialista em Comunicação Publicitária? Especialista em Comunicação Institucional? Especialista em Relações Públicas?

Mmmmmmm, estratega?

Bom, deve ter alguns contactos. O costume.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

T-shirt 2.0

Descobri uma nova forma de comunicação. Não é a Web 2.0 – convenhamos que vinha um pouco atrasado – mas a T-shirt 2.0 (o número é para dar um ar mais técnico). Uma empresa portuguesa dedica-se a comunicar através de t-shirts. Com poucas palavras e muito humor, a Cão Azul é um exemplo de que a criatividade não tem limites e que qualquer suporte é válido para comunicar. Desde que bem usado!

Num momento em que só a tecnologia parece ter futuro, aqui estão duas pessoas que utilizam uma plataforma com mais de 100 anos (ver wikipedia)

O segredo? Simples. Timing! Como no trabalho de qualquer consultor de comunicação, basta estar atento à actualidade e manter os meios informados sobre o nosso trabalho. Isto aliado a muito talento, esforço e a ajuda de um endorser bem-humorado - no caso Nuno Markl.

Os resultados (notícias) podem ser vistos e lidos no site da dupla.

É ou não PR eficaz?

O Mágico

David Copperfield é um grande ilusionista. Fez desaparecer um boeing e a torre Eiffel. Colados ao ecrã, milhares de espectadores tentaram descobrir o truque. Não decoravam as palavras mágicas, nem os gestos que ele dramaticamente fazia. Sabíamos que era uma ilusão. Que não era verdade. Gostávamos, eram bons programas. A publicidade é muitas vezes assim. 30 segundos de puro deleite. Podemos saber que o que dizem é mentira, ter usado 20 vezes aquele detergente e saber de cor que nem uma nódoa de cuspo tira. Mas se os 30 segundos valerem a pena, no dia seguinte falamos deles e colocamos quem os pensou no Olimpo dos deuses da criatividade. Da próxima vez que formos ao supermercado, compramos o de sempre, talvez o mais barato, talvez o que tira as nódoas, talvez o de marca branca.

A publicidade funciona muitas vezes assim. Às vezes convence, outras não. Mas admiramos e reconhecemos a arte, o engenho e a ilusão de um trabalho, algumas vezes, artístico.

Quando trabalhamos em Media Relations não é assim. Não basta ser um bom ilusionista. Não basta saber uns truques. Quando trabalhamos nesta área, e se queremos ser mesmo bons, temos de ser mágicos. Ser mágico não é ter gestos hipnóticos, nem repetir palavras (conceitos) até que estes percam o sentido. A magia só é mágica quando invisível. Quando nenhum sentido a intui e, sobretudo, quando nem a intuição a sente. O consultor é anónimo e silencioso, calado para o mundo em geral, mas influente. Um consultor não fala, mas é a sua voz que anda na boca do mundo. E isto é magia.

Sobre os inimigos

"Keep your friends close and your enemies closer". No mundo das marcas a lei marcial também se aplica. Conhecer a concorrência é mais do que importante. É vital. Ignorar os estudos como ferramenta de marketing é um erro comum em Portugal. Os estudos são caros e a aposta vai sempre para o que faz mais barulho: publicidade. O verbo "conhecer" é frequentemente substituido pelo neologismo "impactar". Poucos são os profissionais de marketing preocupados em conhecer os seus consumidores, os seus potenciais consumidores, a sua concorrência. Todos querem saber o que a concorrência faz, mas poucos dedicam tempo (e dinheiro) a conhecer os concorrentes, o inimigo.

"Advertising people who ignore research are as dangerous as generals who ignore decodes of enemy signals."

David Ogilvy